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Aumenta número de empreendedores em 2002

Em 2002, um em cada cinco brasileiros que têm entre 18 e 64 anos de idade está abrindo negócio próprio. Em 2000 e 2001, a proporção era de um para cada sete. Apesar da redução, o Brasil ainda tem uma taxa de empreendedorismo (porcentagem de pessoas que abrem a própria empresa em relação à população economicamente ativa) maior do que a média mundial: 13,5% contra 12%.

Os números foram apresentadospelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), que, em parceria com o Sebrae, é responsável pela pesquisa Global Entrepeneurship Monitor (GEM), no país. O levantamento foi feito em 37 países (eram 29 no ano passado), que respondem por 92% do PIB, 62% da população e 12% da força de trabalho mundiais. Os dados foram coletados entre janeiro e agosto deste ano.

O Brasil, que já ocupou a primeira colocação na taxa de empreendedorismo em 2000, neste ano passou para o sétimo posto. Foi ultrapassado por dois países que já faziam parte da pesquisa (Argentina, 5º lugar, e Coréia do Sul, 4º) e foi batido por novos integrantes do levantamento: Tailândia (1º), Índia (2º), Chile (3º) e Nova Zelândia (6º).

A principal novidade em relação ao Brasil é que o país quebrou seu próprio recorde. O GEM, que é coordenado mundialmente pelo Babson College (EUA) e pela London Business School (Inglaterra), divide o empreendedorismo em duas categorias: movido pela oportunidade ou pela necessidade. Os brasileiros já lideravam neste segundo segmento, mas ampliaram a margem.

Os empreendedores do país movidos pela necessidade equivalem a 7,5% da população entre 18 e 64 anos, enquanto no mundo o índice é de apenas 1,9%. Essa taxa costuma ser maior nos países em desenvolvimento, conforme explica o coordenador da pesquisa, Marcos Schllemm.

Além disso, o Brasil inverteu a tendência observada no ano passado, em que predominaram no país os empreendedores movidos pela oportunidade. Esse grupo equivalia a 52% em 2001, mas foi reduzido a 44% neste ano. “O Brasil é a nação que mais empreende por necessidade. Isso deve servir como um alerta”, afirmou o presidente do IBQP, Sérgio Prosdócimo.

Outro destaque negativo para o país é que ele ocupa a 34º colocação no item “condições estruturais”, que leva em conta a quantidade de impostos, políticas de fomento, acesso a crédito, entre outros. “No Brasil, o cenário é totalmente desfavorável.

Felizmente, o brasileiro consegue sobreviver, disse o diretor técnico do Sebrae, Vinícius Lummertz, acrescentando que, nos últimos anos, 97% dos empregos no país foram gerados por micro e pequenas empresas.

A pesquisa do GEM apontou ainda que aumentou o índice de empreendedoras brasileiras. Em 2001, a porcentagem de mulheres entre os que abriram novos negócios era de 38%. O índice subiu para 42% neste ano.

Os técnicos responsáveis pela pesquisa apontaram áreas em que se observa maior dinamismo na geração de empresas. Os setores que lideram são: software de serviços, biotecnologia, e-commerce/internet, bancário/financeiro/seguros, software para produtos, serviços educacionais, metais/materiais/mineração e agricultura/horticultura/florestal.

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