Quem tem qualquer problema no carro, como um amassadinho, um ponto de ferrugem ou vê que ele morre a todo o momento, deve tomar cuidado na escolha da oficina mecânica ou da concessionária para que o conserto não vire um pesadelo. Ficar sem o carro por alguns dias e ainda ver que o problema continua, ou pior, que apareceram outros, são reclamações comuns. De janeiro a julho deste ano, o Procon de São Paulo recebeu 650 consultas sobre o tema e, de olho nos direitos básicos do consumidor, dá algumas dicas.
Para começar, faça três orçamentos. Além de comparar preço, essa medida pode evitar que o consumidor seja enganado com expressões que nunca ouviu falar. Se dois deles identificarem o mesmo defeito,já terá maior segurança ao contratar.
Cautela – No orçamento deve constar o preço das peças originais as recondicionadas só podem ser utilizadas com expressa autorização do consumidore o prazo da prestação do serviço. Deixar o carro na oficina ou concessionária de confiança, sem ter qualquer noção de valor, é uma prática abominável, entende a assistente de direção do Procon Gabriela Antonio.
ComprovanteNo caso de serviços que só possam ser feitos por oficinas especializadas, como a manutenção de injeção eletrônica, e até mesmo o conserto de veículos importados, verifique o curriculum da oficina. Em geral, as oficinas especializadas têm todo o interesse em pendurar nas paredes os diplomas e certificados que distinguem os seus profissionais das oficinas em geral.
Depois de escolher o estabelecimento, exija comprovante de entrega do carro, com os problemas relatados, a quilometragem e o nível de combustível. Isso já é feito em várias concessionárias, e o consumidor deve exercer esse direito para que a prática seja adotada por oficinas que não têm esse costume, orienta Gabriela.
Observação – Na retirada, faça uma boa vistoria no veículo: olhe a lataria, os pneus, o estepe. Se o problema foi de funilaria, verifique o reparo à luz do dia; se mecânico, dê algumas voltas com ele para ver se foi solucionado. Segundo o Procon, o cliente só deve retirar o veículo se tudo estiver em ordem. Caso contrário, o consumidor deve colocar por escrito o motivo por não retirar o veículo e pedir protocolo do estabelecimento. Em último caso, se não houver entendimento, é possível registrar um boletim de ocorrência na delegacia de polícia mais próxima.
A garantia pelo serviço dada pela lei é de 90 dias, mesmo que o fornecedor diga que ela é menor. Assim, se você não ficar satisfeito com o serviço, tem três alternativas: pedir a re-execução, o dinheiro de volta, ou o abatimento proporcional do preço. O melhor é que a re-execução seja feita pela mesma oficina, em uma relação cordial. Mas ela pode até ser feita por um terceiro, se não houver acordo, segundo a representante do Procon.
Só que o consumidor deve saber que, neste caso, terá de arcar com o novo conserto e reclamar depois o valor pago ao primeiro, que executou o serviço de forma insatisfatória. O proprietário do carro deve tomar a precaução de fazer três orçamentos, em que conste o problema do veículo detalhadamente, que irão servir de laudo na hora de pedir o dinheiro de volta, na Justiça.
Na pesquisa, podem ser úteis as indicações de amigos e o banco de dados do Procono de SP atende pelo telefone 11-3824-0446para saber se há reclamações registradas no órgão.
Adriana Gordon