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Aplicação será mais rentável

O aumento do superávit primário deve diminuir a demanda na economia, o que dá margem para flexibilização da política de juros do Banco Central, de acordo com especialista.

Mesmo que o Fundo Soberano seja criado neste momento, o governo terá de esperar que o real se valorize mais em relação ao dólar para abastecer essa reserva, segundo o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. “Antes, a idéia era comprar dólares para abastecer o fundo e fazer investimentos no exterior”, afirmou. “Mas com a crise financeira e a valorização da moeda norte-americana, o governo deve fazer caixa enquanto espera que o câmbio se equilibre novamente. E o superávit primário vai aumentar em 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a acumulação desse caixa.” O aumento do superávit primário deve diminuir a demanda na economia, o que dá margem para flexibilização da política de juros do Banco Central, de acordo com o especialista.

Com US$ 203 bilhões guardados, o Brasil mantém hoje a oitava maior reserva internacional do mundo, o que reduz a vulnerabilidade da economia local em situações de crise financeira. Mas a baixa rentabilidade dos recursos pode fazer com que eles percam seu valor real: a maior parte está aplicada em títulos do governo americano, considerado o investimento mais seguro do planeta, mas também um dos menos rentáveis. Com um Fundo Soberano, o objetivo do governo brasileiro é buscar investimentos mais rentáveis, como a participação em empresas estrangeiras. “A operação de câmbio com o BC dos Estados Unidos, de US$ 30 bilhões, vai aumentar em 15% as reservas do País, o que deixa o Brasil ainda mais preparado para tempestades econômicas”, disse Alfieri.

“Conceitos de fundos como esses nasceram da lógica da internacionalização das economias e da globalização financeira”, disse o professor do Departamento de Economia da PUC-SP e autor do livro Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil, Antonio Correa de Lacerda.

Cerca de 40 países já criaram seus fundos soberanos. O primeiro surgiu no Kuwait, em 1953. A China detém o maior deles, criado no ano passado, que já conta com US$ 300 bilhões aplicados em ações, além de participações em empresas e instituições financeiras privadas de outros países.

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