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Aplicação pós-fixada é mais recomendada no momento

Guarulhos, 05 de junho de 2003

A possibilidade de uma redução da taxa de juros devido à pressão de parte de empresários e de integrantes do próprio governo Lula pode levantar uma dúvida no investidor. No momento é melhor investir em aplicações com juros pós-fixados ou prefixados?

Enquanto nas aplicações prefixadas o investidor fica sabendo, no momento em que aplica seu dinheiro, qual vai ser seu rendimento durante o período em que ficar investido, nas pós-fixadas acontece exatamente o oposto. O aplicador saberá quanto ganhou apenas no momento do resgate. E seu ganho vai depender da taxa de juros na época do saque.

Para quem vai precisar do dinheiro no curto prazo – alguns meses – ou não quer correr riscos de apostar em um futuro com inflação e juros mais baixos e sofrer uma reviravolta de mercado, boa parte dos analistas sugere manter o dinheiro de preferência nos pós-fixados. “Esse tipo de investimento é melhor para quem não quer se preocupar com o cenário e ele deve oferecer juros reais interessantes por alguns meses ainda”, diz Rosana Gomes, diretora da Treina E-Learning, especializada em treinamento financeiro.

Com a taxa básica do Banco Central fixada em 26,5% e uma inflação que pode chegar em 8%, os juros reais ficam na faixa dos 18%. “Até 8% a 10% ainda é uma rentabilidade muito boa”, diz Rosana.

Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management defende que o cliente deve evitar tentar especular com juros. “O melhor é escolher um fundo que tenha um histórico interessante. Se for pensar em longo prazo, mais de dois anos, vale apostar em um fundo de renda fixa, que permite ir tanto para prefixado quanto para uma carteira pós-fixada”, diz.

O investidor tem de saber, ainda, que o mercado já antecipou a baixa de juros e a aposta em um ano é de 23,40%, ou seja, quase três pontos porcentuais menor do que a taxa de um mês fixada pelo governo.

Redução – “A expectativa de mercado passou a ficar menor do que a taxa do governo a partir de abril, fortemente influenciada pela baixa do risco-Brasil”, diz Roberto Cintra, gestor de renda fixa do Citibank. Já quem acha que os juros vão baixar, a inflação não vai aumentar, as reformas sairão do papel e o Brasil voltará a crescer e, ainda, aceita correr riscos e não conta com o dinheiro no curto prazo pode fazer uma outra aposta: nos fundos de ações. È o que recomenda Pedro Forato, gerente de investimentos do BNL. “O cenário externo também melhorou com o fim da guerra do Iraque”, diz.

Luciana Pinsky