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Ano promete ser bom para setor automotivo

Este mês começou com duas boas notícias para o setor automotivo nacional. A recuperação da produção e das vendas internas contabilizada no balanço de fevereiro e a decisão do governo de conceder isenção de Imposto de Importação na compra de chapas de aço. “É uma medida bastante saudável”, resume o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogélio Golfarb. “Dependendo da especificação do aço, a compra no exterior é mais competitiva. E, nos demais casos, teremos flexibilidade para negociar no País”, completa.
Nos últimos três anos – de janeiro de 2002 a dezembro de 2004 -, o preço do aço subiu 159%, contra um Índice Geral de Preço (IGP) de 53% e um aumento acumulado no preço dos carros de 54%. “O peso do aço no custo final do carro saltou no período de 15% para 33%. O reflexo é que ficamos com preços defasados”, explica Golfarb.

Por conta dessa situação, a Anfavea e outras entidades de setores que dependem do aço encaminharam carta ao governo solicitando medidas para amenizar o problema. Na última quinta-feira, foi suspensa a cobrança dos 14% do Imposto de Importação do aço. A princípio, a medida vale até o fim do ano.

Golfarb esclarece que a isenção do imposto não vai ter reflexo imediato, porque vai depender de negociações para as compras no exterior. “Mas num segundo momento certamente será favorável. Mesmo com os gastos que envolvem a importação, como 15% de frete, marinha mercante e outros itens, será vantajoso importar alguns tipos de aço”, afirma.

Mercado interno – Internamente, o setor começou este ano com números em queda. É que em função de uma série de promoções em dezembro, o último mês de 2004 foi excepcionalmente bom. Mas os números de fevereiro mostram que o segmento automobilístico tem tudo para terminar o ano com dados positivos. A produção cresceu 15,7% no mês passado em relação ao anterior (186 mil contra 160,8 mil veículos) e o bimestre totalizou 346,8 mil unidades, 11,5% a mais que no mesmo período de 2004.

As vendas internas atingiram 114,9 mil veículos em fevereiro, com crescimento de 7,8% sobre o mês anterior. No acumulado dos dois primeiros meses, a expansão do mercado doméstico foi de 4,4%, somando 221,5 mil unidades este ano contra 212,2 mil em 2004.

“Alguns fatores nos preocupam, como os aumentos de custos, a defasagem dos preços e o câmbio. Por isso, prevemos para 2005 uma alta de 4% nas vendas, índice inferior ao de 10,8% do ano passado”, destaca o presidente da Anfavea.

Perspectivas – As projeções da Anfavea indicam uma produção de 2,3 milhões de veículos este ano, volume 5,4% superior ao do ano passado. As vendas internas devem chegar a 1,64 milhão de unidades, valor 4% superior ao 1,57 milhão registrados em 2004.

Porém, o otimismo maior é em relação ao mercado externo, que já começou este ano extremamente aquecido. A meta é chegar aos US$ 8,9 bilhões no acumulado de 2005, um crescimento de 7% sobre os US$ 8,3 bilhões registrados no durante todo o ano passado.

Alzira Rodrigues

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