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Abertura de capital disciplina as empresas

“Com a injeção de recursos, consegue-se expandir o negócio. A abertura de capital também trás uma certa disciplina para a empresa, sobretudo com o estabelecimento de parâmetros de boa governança corporativa. Isso é muito importante já que as empresas são forçadas a adotar critérios técnicos de metodologia gerencial e formal na gestão da empresa”, avaliou, apontando ainda que a empresa já com as as ações lançadas em bolsa pode usá-las como moeda de compra, o que cria uma expansão para o mercado societário.

O especialista salientou que o Novo Mercado da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa) – maior centro de negociações de ações da América Latina – está em um bom momento, com cerca de cem empresas abrindo capital nos últimos dois anos. Segundo ele, hoje há 40 empresas com pedido de abertura de capital na CVM e outras cem que iniciaram o processo. “Apesar de algumas empresas mineiras terem entrado nesse mercado, o potencial ainda não foi explorado em Minas. Mas alguns casos de sucesso devem ser divulgados como estímulo para o mercado”, explicou.

Um desses exemplos é a MRV Engenharia e Participações S/A. Em julho, a MRV iniciou as negociações de ações na Bovespa, sendo a mais recente empresa de Minas a abrir o capital. A oferta inicial conseguiu captar R$ 1,1 bilhão, o máximo possível, de acordo com as condições de prospecto. A empresa emitiu todo o lote suplementar acrescendo em 15% no volume de papéis, e também o lote adicional, com 20%, indicando uma demanda alta.

De acordo com o vice-presidente de Relações com Investidores da empresa, Leonardo Corrêa, ser uma empresa aberta é um fator muito importante. “Com a economia cada vez mais globalizada é importante ter maior volume de capital proveniente de diferentes países. Isso tudo é muito importante para ter uma empresa moderna e conseguir alcançar o potencial de crescimento”, explicou.

Com a aquisição de 50% do capital social da construtora mineira Prime Incorporações e Construções Ltda – aproximadamente 1,2 milhão de quotas -, pelo valor de R$ 1,885 milhão na semana passada, a MRV aumentará em cerca de 5% o faturamento neste ano. De acordo com Corrêa, o montante em lançamentos da MRV em 2007 poderá chegar a R$ 1 bilhão, após a absorção de cerca de R$ 50 milhões do valor geral de vendas (VGV) da Prime.

A MRV está dando continuidade aos planos de crescimento, com foco para os empreendimentos da empresa, seguido pela contratação de engenheiros para aumentar a capacidade de produção e, por último, a busca de novos parceiros. Com negócios em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Goiás, além de Minas, a empresa estuda a possibilidade de novas aquisições e da expansão da atuação para outros estados, de acordo com Corrêa.

Recentemente a empresa anunciou a ampliação dos negócios no Rio de Janeiro, após a compra de 141 mil metros quadrados no estado vizinho. Os terrenos comportarão cinco empreendimentos, com 2,960 mil unidades residenciais cuja estimativa de VGV gira em torno de R$ 235 milhões.

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