Chocolate na Páscoa, até derretido. Esse parece ter sido o pensamento dos consumidores que, mesmo com o forte calor, lotaram o comércio paulistano no fim de semana passado — o último antes da data — para comprar os ovos. Os empresários reconhecem que o calor atrapalha um pouco as vendas, mas as expectativas são positivas.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) estimou crescimento de 5% na produção em relação a 2006, para cerca de 100 milhões de ovos. A projeção da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) é de vendas 7% maiores do que na Páscoa passada, considerando, além dos ovos, itens como bacalhau e vinho.
De fato, os corredores das lojas especializadas em chocolates e ovos de Páscoa lotaram no último sábado. Para a fabricante Cacau Show, por exemplo, as vendas devem ter aumento de 15% sobre a Páscoa de 2006. E isso apesar da alta média de 5% dos preços, de acordo com o gerente comercial, Marcelo Martins.
Ele afirmou que 75% das vendas são registradas nas duas semanas que antecedem a Páscoa. O movimento na loja da Cacau do Tremembé, na zona norte da capital, comprova essa percepção. O fluxo de pessoas foi 50% maior que no sábado anterior.
“Contratei três pessoas e precisei chamar meu marido e minha filha para ajudar no atendimento. Espero vender 40% mais nesta Páscoa em relação à data de 2006”, disse a proprietária da unidade, Salua Yassien.
Filas — A loja da marca Munik, também na zona norte, ficou lotada tanto no sábado quanto no domingo, com grandes filas de consumidores esperando para escolher os produtos e também para pagar. Para suprir a demanda, a fábrica produziu 5% mais ovos de chocolate este ano.
A estimativa do gerente da empresa, Márcio Romeu Marconi, é de registrar aumento de 13% no faturamento em comparação com a Páscoa do ano passado. O gerente da Munik, que tem nove lojas na cidade, informou que o tíquete médio de vendas é de R$ R$ 50.
De acordo com ele, o calor atrapalha um pouco as vendas de ovos de chocolate — produtos muito sensíveis a temperaturas altas. “Não é nada que chegue a influenciar o resultado final das vendas, principalmente porque muitos consumidores devem deixar para comprar os ovos mais perto da Páscoa, a fim de evitar ficar com chocolate derretido em casa”, afirmou Marconi, deixando clara a expectativa de mais dias de muito movimento ao longo desta semana.
Presentes — A advogada Consuelo Benfica e a filha, a estudante Cristiane Benfica, precisaram de ajuda para guardar os ovos de chocolate no carro depois de gastar um total de R$ 245 na Munik. “É difícil gastar menos do que isso. Na Páscoa, todos esperam presentes”, justificou Consuelo.
O casal Marcos César Fernandes e Vanessa Santiago Fernandes resolveu dedicar o tempo livre do sábado para escolher os presentes de Páscoa. Eles foram à Chocolândia, no Ipiranga, na zona sul, com a filha Lays, de dois anos. “Estamos comprando mais nesta Páscoa do que no ano passado”, afirmou Vanessa.
Para aproveitar essa disposição dos consumidores, a loja chegou a ficar aberta durante 24 horas. Ao contrário do que acontece na Cacau e na Munik, que oferecem produtos próprios, no entanto, a Chocolândia deve registrar vendas semelhantes às da Páscoa de 2006, segundo o proprietário, Osvaldo Nunes. “Entre 2005 e 2006 as vendas cresceram 15%. Agora acredito que o calor vai fazer com que as pessoas comprem menos chocolate”, disse. “Mas se o tempo esfriar nos próximos dias é grande a chance de as vendas crescerem 16%”, afirmou, destacando que o tíquete médio na loja é de R$ 65.
Há quem gaste muito mais, caso da empresária Alessandra Alonso Gonçalves. No último sábado, ela pagou um total de R$ 400 por ovos de Páscoa “para a família toda” na Chocolândia. A condutora escolar Denise Caires escolheu dois potes de pequenos ovos de chocolate e caixas para presentear as trinta crianças que leva para a escola todos os dias. “Vou gastar cerca de R$ 50. Mas vale a pena. Os alunos vão adorar. Páscoa é tempo de presentear”, afirmou Denise.