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A hora e a vez dos micro e pequenos negócios

Guarulhos, 23 de fevereiro de 2005

As dificuldades parecem cada vez maiores, a burocracia e a alta carga tributária sufocam e o ano de 2004 trouxe apenas o ensaio de uma recuperação. Apesar de tudo isso, os micro e pequenos empresários estão otimistas e prevêem um 2005 melhor. E, com a retomada do emprego e renda dos brasileiros, a previsão é melhor para o setor de serviços. É o que indica uma sondagem realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP) com 374 empreendedores paulistas.

Se o futuro para o setor produtivo parece um pouco nebuloso após os seguidos aumentos da taxa básica de juros (Selic), ele não assusta tanto os negócios menores. A previsão para este ano inclui aumento no faturamento, crescimento da atividade econômica e novas contratações. Mais da metade do total de entrevistados acredita na melhora do movimento no trabalho e quase 60% avaliam que o faturamento vai subir.

Segundo o levantamento, 34% dos empreendedores apostam na manutenção dos seus ganhos e apenas 5% acham que terão queda do faturamento. Em relação ao número de funcionários, 69% acreditam que vão terminar o ano com a mesma quantidade de empregados de 2004 e 26% dos entrevistados pretendem contratar. O mesmo percentual aposta também que haverá aumento dos salários.

“Esse é um bom sinal, já que mais dinheiro circulando é boa notícia para os pequenos negócios, que são dependentes, em sua maioria, do mercado interno”, diz o economista do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê.

Recuperação de 2004

Para confirmar esses dados, ele cita os resultados da pesquisa de conjuntura do mês de dezembro. A sondagem aponta que o faturamento real do setor encerrou o último mês de 2004 com crescimento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, fato que não ocorria desde 2000. Sobre novembro, o resultado também foi positivo, com alta de 2,1%, que representa um acréscimo de R$ 403 milhões entre um mês e outro.

Mas, apesar dos dados positivos em dezembro, os valores referentes ao acumulado do ano ainda mostraram queda de 5,2% no faturamento real das micro e pequenas empresas, provocada principalmente pelo desempenho negativo dos primeiros meses do ano.

“Tivemos uma gangorra em 2004, com um início de ano difícil que prejudicou a performance anual. Mesmo assim, os dados do segundo semestre ajudam a mostrar uma tendência de retomada e confirmam que a economia interna, de um modo geral, está melhor”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae-SP, José Luiz Ricca.

Tendências

Para os especialistas da entidade, outros resultados da pesquisa ajudam a comprovar essa tendência de recuperação. O nível de emprego registrou alta de 3,2% na comparação entre os meses de dezembro de 2003 e 2004, o que representa cerca de 150 mil novas vagas.

Já os gastos reais com salários cresceram 7,5%, considerando a mesma base de comparação. “A recuperação dos salários observada na economia como um todo está começando a ocorrer também nas pequenas empresas”, explica Marco Aurélio Bedê.

No acumulado do ano, a indústria foi o destaque entre os empreendimentos de pequeno porte. Na comparação dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 8,3%, puxado pela produção de bens intermediários, bens de capital e duráveis, que são atividades relacionadas à volta dos investimentos na economia do País.

“A recuperação da indústria também foi impulsionada pelas exportações e, posteriormente, pela venda de bens duráveis”, afirma o economista do Sebrae-SP.

O comércio também teve resultado positivo. Na comparação com novembro, o setor registrou crescimento de 9,2%. Esse resultado beneficiou a comparação de 12 meses, que fechou com alta 1,9%. Já o setor de serviços, apesar de ter reagido bem em dezembro, com alta de 1,3% sobre novembro, seguiu em queda na comparação de 12 meses, com redução de 3,2%.

“Para 2005, com mais gente empregada e melhora do salário e do emprego, o setor de serviços, que atende especialmente o consumidor final, finalmente sentirá esses efeitos”, aposta Bedê.

Patrícia Büll