Confiança do consumidor ainda está longe do nível do ano passado
A confiança do consumidor manteve-se em patamar baixo em maio deste ano, registrando 120 pontos de acordo com o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e do Instituto Ipsos. O resultado foi um pouco melhor que o de abril, que ficou em 119 pontos. Se os números evidenciam pessimismo, a confiança, que estava em queda no primeiro trimestre, não piorou – ficou estagnada nos últimos dois meses. Em dezembro de 2008 o índice marcava 145 pontos, mas caiu para 121 pontos em março de 2009. Desde então, mantém-se no mesmo patamar, levando-se em consideração a margem de erro de três pontos da pesquisa. O índice, que será divulgado na íntegra hoje, varia de 0 (pessimismo) a 200 pontos (otimismo).
Com a confiança abalada, o consumidor põe o pé no freio no momento de gastar. Essa consequência é evidente nos indicadores econômicos do Instituto Econômico Gastão Vidigal (IEGV), da ACSP, que revelam que as compras de menor valor estão ganhando espaço em detrimento das de preço mais alto.
Na capital paulista, a primeira quinzena de junho revelou que as consultas ao SCPC Cheque, que dão um parâmetro das compras à vista (valor menor), cresceram 9,3% ante igual período de 2008, quando a crise ainda não afetava a economia. Enquanto isso, as consultas ao SCPC, que medem as compras a prazo, normalmente de maior valor, registraram queda de 12% na mesma comparação. Essa tendência vem se desenhando ao longo deste ano. Em maio, enquanto o SCPC caía 17,7%, o SCPC Cheque apontava leve retração de 1% em relação a igual mês do ano passado.
O receio de gastar grandes valores também é revelado no INC de maio. Os consumidores entrevistados na pesquisa – 1 mil nas principais regiões metropolitanas do País – mostraram que estão menos dispostos a comprar eletrodomésticos, como fogão e geladeira. O levantamento mostra que 39% deles estão menos à vontade para comprar esses dois produtos, comparativamente com seis meses atrás. Em maio de 2008, 27% se diziam pouco à vontade para adquirir os itens. Mas esse resultado é melhor do que o de abril, que mostrou que 42% se diziam pouco propícios a comprar os eletrodomésticos.
Mesmo aqueles que adquiriram bens mais caros, reduziram o valor das parcelas. Em maio, o valor médio das prestações contratadas pelos entrevistados foi de R$ 68. Em igual mês do ano passado, as parcelas médias eram de R$ 70. Em abril deste ano, a parcela média era de R$ 58.
Um dos fatores que mais abala a confiança do consumidor é o receio de demissão, que aumentou, com a instabilidade nas empresas.
O INC mostra o crescimento dessa preocupação. Os entrevistados pela pesquisa diziam conhecer, em média, 4,4 pessoas que perderam o emprego em maio, o maior número desde junho de 2006. Em abril de 2009 esse parâmetro era de 4,2 pessoas conhecidas que haviam saído do mercado de trabalho. Em maio de 2008, os entrevistados conheciam, em média, 3,7 pessoas demitidas.





