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Para economistas, é a recessão

Guarulhos, 14 de janeiro de 2009

O Brasil está em recessão e os Estados Unidos já dão sinais de depressão. As opiniões sobre os efeitos atuais da crise internacional de crédito foram compartilhadas, ontem, pelo ex-ministro da Fazenda do governo José Sarney, Luiz Carlos Bresser Pereira, e pelo diretor e professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Luiz Yoshiaki Nakano. Os economistas participaram da primeira edição no País do Latin America Advanced Programe on Rethinking MacroDevelopment Economics (Laporde) para discutir a economia mundial pós-crise, na FGV, em São Paulo.

Para Nakano, a lógica capitalista está desaparecendo com a crise. Segundo sua análise, o balanço das empresas internacionais está negativo e as instituições apenas lutam para administrar dívidas. “Isso em breve deve chegar ao Brasil. Precisamos de medidas efetivas do governo para amenizar os efeitos da crise no País”, disse. Segundo ele, ao contrário do que acontece neste momento, o governo deveria esgotar primeiro os artifícios da política monetária para enfrentar a crise e somente depois partir para apertos na política fiscal.

Para os economistas, a taxa de juros no Brasil deve sofrer cortes mais profundos que os regulares 0,25% aplicados antes da crise internacional. “Porque não podemos cortar 1% de uma vez? O Banco Central deve fazer isso. Porque não podemos cortar 25% da taxa como aconteceu em outros países desenvolvidos? “, perguntou Bresser Pereira para quem o Brasil pode transformar a crise em oportunidade, desde que se livre da combinação de juros altos e taxa de câmbio baixa.

O encontro reuniu ainda professores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. O tema principal das discussões entre eles foi a intervenção mais ampla do Estado na economia capitalista fundamentada na auto-regulamentação nas relações do sistema financeiro. Para o diretor da faculdade de economia e política de Cambridge, Ha-Joon Chang a “hegemonia neoliberal” – o consenso de comércio liberal e mercado livre dos últimos 25 anos – restringiu o crescimento de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Ele defende a tese em seu livro Bad Samaritans (Maus Samaritanos): as receitas ministradas pelo FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio causaram mais estragos do que ajuda. O secretário-assistente do Departamento de Economia e Relações Sociais das Nações Unidas, Jomo Kwame Sundaram e o analista do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Jan Kregel, também afirmaram que o capitalismo precisa de revisões e aperfeiçoamentos.