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Dificuldades para zerar débitos

Guarulhos, 08 de janeiro de 2009

Depois de quatro dezembros consecutivos registrando queda na inadimplência, ou seja, mais registros cancelados do que recebidos, o último mês de 2008 quebrou o padrão. A inadimplência voltou a crescer em dezembro do ano passado – alta de 3,6% – na Capital Paulista, ante queda de 1,9% no último mês de 2007. Os dados são do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), da Associação Comercial de São Paulo. Segundo o economista Emilio Alfieri, do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, os dados de inadimplência do último mês do ano sinalizam como serão os primeiros meses de 2009. E, como já partem de um índice alto (3,6%), acendem a luz de alerta.

Historicamente, a entrada do 13º salário para quitar ou ao menos renegociar dívidas dos consumidores leva a um alto índice de cancelamento de registros de inadimplência em dezembro. Mas, no mês passado, ao contrário, houve queda de 13% nos cancelamentos e aumento de 11% nos registros recebidos. “O que preocupa não são os registros recebidos, que ficaram dentro da média anual, mas a queda dos cancelamentos”, explica Alfieri.

Para o economista, esses dados confirmam que a falta de crédito está afetando não apenas as vendas, mas também os pagamentos de dívidas. “Desde o início da crise, as empresas endureceram as regras para renegociações, o que dificultou os pagamentos”, diz. Isso mostra que o consumidor quer pagar, mas muitas vezes não consegue fazer o valor da dívida em atraso – depois de corrigida – caber no orçamento. Tanto é assim, que nesta primeira semana do ano, o balcão de informações do SCPC ficou bastante movimentado: 2.740 pessoas passaram pelo local apenas na última segunda-feira. O movimento foi 10% maior que a média diária registrada em 2008 (2,5 mil).

No acumulado do ano, a inadimplência ainda não desperta grandes preocupações: cresceu 6,5% em comparação com 2007. Alfieri explica que a inadimplência representa quanto a loja, financeira ou banco perdem no faturamento por operar com crédito. Até 5% está dentro da previsão de praxe de compradores duvidosos. O percentual de 6% a 9% desperta mais atenção e, acima de 10% é sinal de que o varejo entrou em crise.

Foi o que ocorreu em 1998, quando a inadimplência ultrapassou 11%, com picos mensais entre 18% e 20%. Nesses casos, significa que não apenas o consumidor terá problemas, mas também a pessoa jurídica. “Foi quando redes varejistas como Mappin, Mesbla e G. Aronson decretaram falência, pois, entre outros motivos, sem receber dos clientes, não tinham como honrar as próprias dívidas”, afirma Alfieri.

Atenção na venda –
Para os lojistas, Alfieri recomenda redobrar os cuidados na hora de efetuar a venda a prazo. Evitar repasse de aumentos é a primeira dica. Em momentos de crise e crédito curto, o ideal é segurar os preços e, quando possível, dar desconto. Se o parcelamento for inevitável, usar prazos mais curtos. “Usar as ferramentas disponíveis pelo SCPC para monitorar a inadimplência também ajuda.”

O economista lembra que as diversas áreas do varejo serão afetadas de formas diferentes. O pequeno varejo, por exemplo, que depende mais da massa de baixos salários, poderá se beneficiar do aumento do salário mínimo, que deverá ter reajuste de cerca de 10%, passando de R$ 415 para R$ 460. “De qualquer forma, o ideal é acompanhar atentamente o desempenho do comércio no primeiro trimestre, para só então fazer um prognóstico mais seguro do ano”, afirma Alfieri.