Papai Noel deve passar imune pela crise
Os solavancos da crise não chegarão nem perto do principal personagem do Natal. Quem é gordinho, tem mais de 55 anos e barba branca natural, continua disputado por shoppings, supermercados, lojas e famílias de todo o País. Para interpretar o bom velhinho e faturar entre R$ 600 e R$ 10 mil num período médio de 45 dias, é preciso gostar de crianças, ser paciente e ter jogo de cintura para responder perguntas embaraçosas: “Como você vai entrar lá em casa se não temos chaminé?” Ou: “Onde estão suas renas de nariz vermelho?”
Ser Papai Noel pode não ser tarefa simples, mas serve para complementar a renda, segundo o ator Paulo Mendes, fundador da Cia do Bafafá. Sem conseguir trabalhar durante as festas de final de ano, por causa da fraca demanda pelas peças teatrais, ele teve a idéia de se transformar no principal símbolo do Natal. “Minha tentativa deu certo, e hoje trabalho com aproximadamente 50 atores”, conta.
Sete novos profissionais foram preparados por ele para atender ao crescimento da procura por Papais Noéis. Além de shoppings e supermercados, a equipe de Mendes visita casas de famílias na véspera do Natal. “Já temos 250 residências agendadas. Em 2007, foram 150. Sinal de que a crise ainda não afetou a renda da população”. O serviço, de 20 minutos em cada residência, custa, em média, R$ 400.
Item fundamental – A barba é a principal característica para definir o preço dos serviços prestados pelo personagem. Se ela for verdadeira, maior a chance de trabalhar em um shopping center. Pensando nisso, a Maison Eventos recruta apenas senhores que têm barba natural. Lá, já existem 300 pessoas cadastradas com esse “atributo”.
O proprietário da Claus Produções Artísticas, Sílvio Ribeiro, concorda que as características físicas são importantes para o sucesso da empreitada. Segundo ele, além de barba branca, barriga saliente e simpatia, é necessário o candidato a “bom velhinho” receber treinamentos específicos para atuar.
“Como o Papai Noel é presença obrigatória no Natal, resolvi compartilhar meus conhecimentos, dando dicas de como ser uma figura amada pelas crianças.” Há 41 anos ele ri o famoso “Ho-Ho-Ho” e escuta os desejos dos pequenos nesta época do ano. “O mais importante é manter viva essa fantasia infantil.”





