Efeito calendário afetou pequenos
As micros e pequenas empresas paulistas tiveram queda de 8,6% no faturamento real no mês de agosto na comparação com igual mês do ano passado. Na comparação com julho deste ano, a queda foi de 1,6%. Em ambos os casos, a redução no faturamento é atribuída ao “efeito calendário”, já que agosto teve um dia útil a menos em relação a julho, e menos dois dias úteis na comparação com o mês de 2007. Outro motivo é a comparação com um bom mês em termos de vendas, já que agosto de 2007 registrou aumento de 5%, o maior nos últimos seis anos.
De acordo com coordenador do Observatório das Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, menos um dia útil no mês faz diferença no faturamento das MPEs, pois se o empresário não abre seu estabelecimento, as vendas que seriam efetuadas acabam se perdendo. “
Algumas decisões de consumo até podem ser postergadas, mas algumas não são substituídas. Por exemplo, o cafezinho que deixa de ser vendido no feriado não será reposto no dia seguinte”, afirmou. Ele disse que o calendário é a variável que mais afeta o faturamento dessas empresas. “Um dia representa faturamento de pelo menos 5% para os pequenos.”
Na comparação com o mês anterior, a queda em julho foi maior nas MPEs da indústria (-5%) e comércio (-3,8%). Apenas as MPEs de serviços tiveram expansão, com alta de 6% no período. O desempenho do spa urbano Buddha Spa, localizado no bairro Higienópolis confirma esse dado: nos últimos 12 meses encerrados em agosto, o estabelecimento teve uma expansão de 35% em novos clientes. “O setor de spas é um dos que mais tem crescido dentro da prestação de serviços”, afirma Gustavo Albanesi, sócio do Buddha Spa e diretor de marketing da Associação Brasileira de Clínicas de Spa (ABC Spa). Segundo ele, aumentou a demanda por espaços que aliem cuidados com a saúde e bem-estar. “As pessoas buscam cada vez mais técnicas de prevenção”, disse.
Futuro – Por conta da retração das vendas no mês de agosto, as expectativas dos proprietários de MPEs tiveram ligeira queda no otimismo: em setembro, 55% disseram esperar uma melhora no seu faturamento nos próximos 6 meses, ante 58% em agosto.
Contudo, aumentou a proporção dos que acreditam em manutenção da receita: subiu de 36% em agosto para 41% em setembro. Quanto à economia, 52% disseram esperar uma melhora no nível de atividade nos próximos 6 meses. A parcela dos que acreditam na manutenção do nível de atividade na economia subiu de 37% em agosto para 43% em setembro.
O coordenador do Sebrae-SP não acredita que a crise financeira internacional afetará as micros e pequenas empresas. “Por conta da dificuldade de acesso, o pequeno empresários não usa muito crédito. Portanto, não sentirá demasiadamente os efeitos de uma possível retração”, disse Bedê.
Segundo ele, o que pode ocorrer é o empresário encontrar o crédito com custo maior (juros mais altos). Mas, nesse caso, ele vai tentar repassar esse aumento para o produto ou absorver de alguma maneira. “A mudança será mais de estratégia administrativa, para saber se vai recorrer ao banco ou utilizar dinheiro próprio”, estimou Bedê.







