Sinal de alerta no varejo: sobe a inadimplência
Pesquisas semestrais da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) sobre o perfil do inadimplente mostram que a maioria dos devedores é formada por homens com idades entre 31 e 40 anos, salário maior que R$ 761 e dívidas totais médias de R$ 1.163,66. A maioria pára de pagar as contas porque perde o emprego, mas garante que quita as dívidas em até 30 dias, cortando gastos e com o próprio salário. Esse perfil, identificado na última análise de março deste ano deve ser repetir no segundo levantamento do ano, em setembro.
“O perfil do inadimplente se mantém já há algum tempo. São pessoas com índice de endividamento muito alto que possuem um grande número de consultas no cadastro de análise de risco de crédito. Essa é uma informação importante para o varejista administrar perdas na carteira com a inadimplência”, diz Roseli Garcia, superintendente de Produtos e Serviços da ACSP. Hoje, é preciso lançar mão de todos os instrumentos para apoio à tomada de decisão de crédito, completa a superintendente.
A inadimplência já é considerada como fator importante para a venda a crédito. De acordo com o economista Emílio Alfieri, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da ACSP, a taxa líquida – resultado da diminuição dos registros recebidos pelos cancelados divididos pelo número de consultas dos últimos três meses –, índice de pessoas inscritas na lista por falta de pagamento, apresenta alta desde 2004.
Em agosto daquele ano chegou a 3,9%, passou para 4,7% em igual mês de 2005, batendo 5,6% em 2006 até chegar a 5,84% no ano passado. Agosto deste ano marcou 6,7%.
“Consideramos sinal verde para o crédito até o limite de inadimplência de 5%. Acima disso, até 10%, e já estamos nesse patamar, temos o sinal de alerta, amarelo. Acima, temos o sinal vermelho – onde os índices podem chegar a até 20% – como aconteceu na grande crise de 1998-1999, quando muita gente quebrou. Entre as providências a serem tomadas agora para ceder o crédito é realizar uma análise cadastral mais apurada”, observou.
O maior fornecedor de crédito nos últimos anos, o setor de veículos, no entanto, já começa a viver dicotomias dentro dos processos de financiamento. De acordo com o analista de mercado da consultoria Molicar, Vitor Meizikas, principalmente os bancos das montadoras mantêm o objetivo de disputar os consumidores que ainda não compraram veículos zero quilômetro em longas prestações.
“Hoje, estão sobrando carros nas concessionárias. Para vender esse excedente, as montadoras trabalham com mensalidades em torno de R$ 300, manipulando juros, quantidade de prestações. Isso ainda mantém os prazos entre 60 e 72 meses”, disse Meizikos. Para o consultor, os prazos devem permanecer longos pelos menos até o segundo semestre do ano que vem, quando a produção de veículos já estiver enquadrada na demanda.
Já as financeiras de bancos desvinculadas das montadoras se não reduziram os prazos, estão, muito mais exigentes para conceder o crédito. Com isso, o prazo médio de financiamento caiu de 42 para 40 meses.







