Obras da Dom Pedro causam prejuízo a comerciantes e transtornos a pedestres
Poeira, lama, barulho, tráfego pesado de caminhões, pouco espaço para pedestres, confusão. Este é o cenário da rua Dom Pedro II, principal pólo comercial de Guarulhos, que tem prejudicado comerciantes e consumidores da região central desde o início do ano. O local está em obras para a implantação de um calçadão. Demora na conclusão é a reclamação geral. Os comerciantes garantem que as obras só acontecem durante o dia. Já a Prefeitura afirma que os trabalhos são executados dia e noite, inclusive nos finais de semana com serviços específicos.
José Aoun, 79, proprietário de uma loja de tecidos na rua Cerqueira César, há 14 anos trabalhando no local, disse que o movimento caiu cerca de 40% desde o início das obras. “A poeira aqui é demais. Isso porque os caminhões são estacionamentos aqui em frente. E também tem as caçambas de entulho. Quem está do outro lado da rua não consegue enxergar minha loja”, comentou. A poeira é tanta que, em certos pontos, um forte e densa névoa se forma.
“Eu acho que pode até ficar bom, mas é impressionante a quantidade de pó. Não dá nem para respirar direito. Acho que está muito demorado, costumo fazer compras aqui no Centro, mas está difícil circular”, ressalta Ariane Cardoso, 22, moradora no Bonsucesso. Na Ótica Vertical, a funcionária Vilma Aparecida Bueno, 39, também comentava sobre a demora. “Obras desta complexidade na região do Centro tem de virar 24 horas. Não dá para demorar todo esse tempo. Daqui a pouco, faz um ano”, revoltou-se a vendedora, mostrando o pó acumulado nas lentes dos óculos expostos na vitrine.
O que se verifica, é que na Dom Pedro até a XV de Novembro, as obras praticamente já foram finalizadas e os pedestres circulam normalmente sem grandes transtornos. No entanto, no trecho que prossegue até a Igreja Matriz, a situação é caótica, com o barulho das máquinas e com o pouco espaço destinado aos pedestres e lojistas.
Janaina Teixeira, 22, que trabalha em um quiosque do mini-shopping Via 16, comenta que o movimento caiu bastante. “Por causa destas telas de proteção, as pessoas que estão do outro lado da Dom Pedro não conseguem acessar a loja”. Ela diz que tem de espanar as roupas e limpar o balcão pelo menos dez vezes por dia.
Mesmo como o intenso movimento de trabalhadores, máquinas e caminhões no dia de ontem, comerciantes não acreditam na conclusão das obras antes das eleições. Esse é o caso de Ramiro Barone Ribeiro, 32, proprietário de uma loja de calçados. “Quero ver como isso ficará caso o prazo não seja cumprido”, revolta-se.
Joel Romão, 34, gerente da Lazinho Calçados, indigna-se. Em frente à sua loja foram colocados grandes tapumes de madeira, que segundo Romão, funcionaria como uma espécie de almoxarifado. “Fecharam praticamente a frente da loja toda. Calculo que as vendas tenham despencado de 20% a 25%. Além de tudo, para piorar, eles deixam entulho aqui em frente”, comenta Romão finalizando: “A obra está muito demorada”.
A Secretaria de Obras informou, por intermédio da assessoria de imprensa, que as obras estão no prazo, de acordo com o organograma. A previsão é de que as obras sejam concluídas no início do mês de dezembro.







