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Caminhos para a China abertos às pequenas

Guarulhos, 06 de maio de 2008

Para atender aos empreendedores brasileiros que planejam fazer negócios com a China, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) se prepara para inaugurar um escritório em Macau. A região foi escolhida como base da ACSP pelo fato de servir como plataforma de serviços entre a China e os países de língua portuguesa e porque o porto local é livre da cobrança de taxas aduaneiras.

O escritório ainda não abriu as portas, mas os empresários brasileiros já começam a chegar. Tokio Isobata foi o primeiro empreendedor atendido pela equipe da ACSP em Macau. Ele quer fazer negócios na China e precisa mapear as oportunidades para descobrir o melhor caminho de acesso ao país asiático. “Aproveito a assessoria local, com profissionais que falam português e conhecem o mercado para entender melhor como as coisas acontecem por aqui”, disse Isobata.

“Com a base da Associação em Macau, é possível usufruir de toda a infra-estrutura de um escritório, agendar encontros com empresários locais rapidamente e descobrir os novos potenciais de negócios oferecidos pela China”, explica.

O escritório da ACSP na Ásia é resultado de parceria com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (Ipim), ligado ao governo local. A entidade conecta e assessora investidores estrangeiros e locais, abriga centro de serviços para pequenas e médias empresas, organiza missões comerciais e também a Feira Internacional de Macau, em outubro, um dos eventos de negócios mais importantes da Ásia.

“As empresas brasileiras que querem fazer negócios com a China ou Macau podem se instalar por até seis meses em uma das salas de nossa instituição, já preparada para isso, e usufruir da infra-estrutura existente gratuitamente para dar os primeiros passos por aqui”, disse a administradora do Ipim, Echo Hong.

“Nossos profissionais”, afirmou, “são fluentes em chinês e português, têm redes de contatos preciosos na China e nos países de língua portuguesa e podem ajudar o empresário brasileiro a estabelecer alianças estratégicas nesses mercados.”

A grande vantagem do escritório da ACSP em Macau, além da facilidade da língua, é que o Acordo de Estreitamento das Relações Econômicas e Comerciais entre o Continente Chinês e Macau (Cepa), implementado em 2004, permitiu que mercadorias originárias da região ficassem isentas de direitos aduaneiros ao entrar no continente asiático.

“As pequenas e médias empresas brasileiras que pretendem atuar na região industrial do sul da China por meio de Macau podem se beneficiar do estatuto de zona aduaneira independente e de porto franco, política de imposto baixo e simplificado e custos operacionais competitivos.”

Abrir um negócio em Macau envolve menos burocracia do que no Brasil, mesmo para um empreendedor estrangeiro. Este precisa de cerca de trinta dias e capital social equivalente a R$ 6 mil para constituir sua empresa na área, de acordo com o diretor do Centro de Apoio Empresarial do Ipim, Agostinho Vong.

“O governo chinês realmente está atento ao papel desempenhado pela região como plataforma de cooperação entre a China e diversos países de língua portuguesa.”

Macau, com 520 mil habitantes, recebe 20 milhões de turistas anualmente, atraídos pelos cassinos e pontos de consumo de luxo existentes na região. Em 2007, o comércio com o Brasil movimentou o equivalente a US$ 13,6 milhões, dos quais 93,3% do valor representam exportações para Macau.