IOF não afasta estrangeiros
Apesar da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas compras de títulos de renda fixa por investidores estrangeiros, as aplicações externas nesses papéis dispararam em março, somando US$ 4,065 bilhões. O volume foi 40,85% maior que o verificado em fevereiro e 7,5% superior aos ingressos de março de 2007.
A cobrança de 1,5% de IOF nas operações de estrangeiros em renda fixa e títulos públicos começou no dia 17 de março por determinação do Ministério da Fazenda. A medida tinha o objetivo de atenuar a entrada de capital estrangeiro estritamente financeiro no Brasil, para conter o processo de valorização do real ante o dólar, que, na visão da Fazenda, está fazendo estragos nas contas externas e prejudicando o produtor nacional.
Mas os dados de março, reforçados com os números preliminares de abril, mostram que nem o capital externo reduziu seu apetite por papéis brasileiros nem o câmbio reverteu sua valorização.
Juro alto – O professor de economia da PUC de São Paulo Antônio Corrêa de Lacerda diz que a ineficácia da elevação do IOF sobre o movimento do capital estrangeiro tem uma razão muito clara: os juros altos no Brasil. Com uma das taxas mais elevadas do mundo e com expectativa de elevação consolidada entre os analistas, o investidor estrangeiro aplica no País mesmo com o custo imposto pelo IOF.
Para Lacerda, a tendência é de que os investimentos externos cresçam ainda mais. Ele explica que o diferencial de juros interno e externo está subindo porque as taxas lá fora estão em queda, enquanto a Selic aumenta. E os investidores se aproveitam disso.
“Há um diferencial muito grande de taxa de juros, que é um estímulo à arbitragem. A alta mais recente da Selic intensifica esse processo, pois aumenta a distância entre juro interno e externo”, afirma. “Essa é uma combinação perversa para o Brasil e tende a agravar a valorização do real e a deterioração das contas externas, pelo efeito negativo sobre as balanças comercial e de serviços.” Ele destaca que, no curto prazo, a piora nas contas não é problema, mas como tendência é preocupante com o ritmo de elevação do déficit.







