Notícias

Pagamento com cartões eleva vendas do pequeno varejo

Guarulhos, 17 de abril de 2008

A maior facilidade que a baixa renda está tendo para obter crédito faz com que lugares como bancas de feiras livres, padarias de bairro, pequenos estabelecimentos comerciais e bares da periferia comecem a aceitar cartões de crédito e débito para aumentar o faturamento. Embora a resistência ainda seja grande, muitos aprovam o uso do plástico e até incentivam outros profissionais a adotar esse meio de pagamento como forma de incrementar as vendas que, em alguns casos, chegam a aumentar 30%.

Segundo a Itaucard, do Banco Itaú, nos últimos quatro anos os gastos das classes de menor poder aquisitivo se destacaram e levaram a uma expansão de 136% no faturamento no setor. As demais faixas de renda apresentaram alta de 85%. A evolução tecnológica dos equipamentos também motivou taxistas, feirantes, quiosques de praia, sorveteiros e pizzarias a aderir aos meios eletrônicos de pagamento.

Estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) indicam que em 2008 o Brasil poderá ter 500 milhões de cartões em circulação. O total movimentado deverá ficar em R$ 375 bilhões, resultado de 6 bilhões de transações.

De acordo com o presidente da Abecs, Felix Cardamone, o crescimento poderá vir justamente da expansão mais acentuada do uso desses plásticos entre pequenos varejistas, além de feiras livres, táxis e distribuidores de gás (caminhões). “Outro fator que poderá ajudar na expansão do segmento é a adoção do mobile payment, o pagamento por meio do celular”, diz.

Mais fregueses – Quem vai à feira livre da Granja Julieta, na zona sul da capital paulista, também já pode comprar alguns itens com o cartão. As barracas de frango e peixe adotaram a medida por causa das grandes vendas para bares e restaurantes. “Todo mundo perguntava se a gente aceitava crédito. Tinha freguês que chegava a pagar até R$ 1 mil com cheque, e não gostava”, diz o feirante Moisés Pereira, que vende pescados também em outras quatro feiras. “Nossas vendas aumentaram 40% depois que instalamos a maquininha, há seis meses.”

Para a fonoaudióloga Francine Fanizzi, o pagamento eletrônico significa praticidade e segurança. Todas as semanas ela vai à feira e não desgruda do cartão de crédito. “Chego a gastar mais de R$ 70 na barraca do frango. Dificilmente eu gastaria essa quantia de outra forma, porque não gosto de andar com dinheiro e cheque.”

Pensando nessa gama de clientes, o feirante Aílton Ferra Braz, conhecido como “Aílton do Frango”, começou a aceitar cartões há três anos. “Sou o primeiro do setor a adotar o sistema”, afirma. Segundo ele, o tíquete médio de quem usa o plástico fica em torno de R$ 20. “Mas muita gente passa valores menores, pequenininhos mesmo, cerca de R$ 3”, diz. Das vendas totais, 15% são feitas pelo meio eletrônico de pagamento.

Apesar dos bons resultados, a maioria das barracas ainda não aceita cartões. Segundo o feirante Miguel Gonçalves, o valor cobrado pelas operadoras pelo aluguel da máquina, cerca de R$ 90 por mês, mais 3% sobre o valor de cada transação, é “um absurdo”.