Porto parado ameaça comércio
A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que entra hoje no 17° dia, poderá provocar o desabastecimento do comércio, o que elevaria o preço para os consumidores finais. Entidades que representam os setores comercial e industrial já trabalham com essa possibilidade para o Dia das Mães. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), a produção do setor corre o risco de ser paralisada por falta de componentes importados, o que afetaria a oferta de itens para a data. Sete mil trabalhadores da Zona Franca de Manaus (ZFM) já entraram em regime de licença remunerada por falta de componentes nas linhas de montagem.
Já para a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abeim) há a hipótese de falta de malhas e jaquetas no mercado, itens que normalmente vêm do exterior.
Associações empresariais começaram a entrar com ações na Justiça pedindo a liberação das cargas de seus associados. Além da greve, as empresas que dependem do comércio exterior enfrentam uma série de dificuldades com a Receita desde o final do ano passado, quando o Departamento de Comércio Exterior (Decex) foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília. Empresários dizem que o quadro de funcionários da nova sede não consegue comportar a demanda. Segundo Ricardo Martins, diretor do departamento de comércio exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), “cerca de 400 empresas esperaram o Decex liberar Licenças de Importação (LI) para que possam montar linhas de produção no Brasil.”
Segundo Sylvio Mandel, presidente da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abeim), é possível que as coleções de roupas de inverno cheguem atrasadas ao mercado. Segundo ele, as peças da coleção já deveriam ter sido totalmente entregues, mas vários contêineres com vestuários continuam retidos nos pátios. Essas mercadorias só devem ser entregues em 20 dias. “O desabastecimento ainda não é sentido porque o calor não estimulou o consumidor a comprar roupas de inverno.”
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) diz que a greve poderá gerar aumento de preços no varejo caso a indústria fique sem matéria-prima importada. Segundo a entidade, a paralisação coloca em evidência a necessidade de o País investir em infra-estrutura e possuir planos de contingências. “Sempre quando o consumidor quer e pode consumir mais, o empresário quer e pode produzir mais e gerar emprego, esbarram em alguma forma de desmando ou inércia do setor público”, diz Abram Szajman, presidente da Fecomércio.
O diretor do departamento de comércio exterior do Ciesp diz que a greve pode afetar a credibilidade dos investidores no mercado brasileiro. “O comércio exterior é sensível a situações como essas. O investidor vai acabar com medo de colocar dinheiro no País.”
A principal reivindicação dos auditores, que levou à paralisação, é a equiparação dos seus salários com os dos delegados da Polícia Federal, que recebem R$ 18 mil – os auditores ganham, em média, salários de R$ 13.300.





