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Refinanciar dívidas exige cuidados

Guarulhos, 11 de fevereiro de 2008

Opções de crédito não faltam no mercado brasileiro. E, exatamente por isso, muitos consumidores acabam se endividando além da conta e decidem recorrer a linhas de refinanciamento de empréstimos. Pensando no potencial de expansão desse segmento, as instituições financeiras têm diversificado essas operações que, em muitos casos, podem aliviar a situação de quem tem dívidas demais — desde que o cliente observe com atenção as regras do refinanciamento, para ver se vale a pena trocar uma dívida por outra.

O diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, recomenda que o consumidor que queira reorganizar suas dívidas com a ajuda de uma instituição financeira verifique os juros e as tarifas dos contratos, que variam muito, dependendo da empresa. De acordo com ele, os prazos mais curtos de pagamento tendem a ser mais vantajosos, por terem taxas mais baixas. “O ideal é tomar emprestado a menor quantia possível.”

A renegociação de dívidas pode melhorar a situação de quem usa esse tipo de crédito, mas também pode colocar o consumidor em situação desconfortável. A opinião é do industrial aposentado João Breviglieri. Assim que concluir a venda de um imóvel, ele pretende quitar um empréstimo consignado (com desconto em folha). “Tomei R$ 8 mil emprestados por meio do consignado e, quando já tinha quitado a metade do valor, a financeira me ligou para oferecer mais dinheiro. Aceitei a proposta, mas me arrependi depois”, afirma. “Acho que as pessoas precisam aprender a viver de sua própria renda.”

Já no caso do jardineiro aposentado Maurício Oliveira da Silva, o refinanciamento foi uma boa escolha. Com aposentadoria de R$ 420, ele tomou empréstimo de R$ 2 mil, para saldar em 36 meses. No final do ano passado, depois de quitar mais de um terço da dívida, procurou a financeira para renegociar o alongamento de prazo, com parcelas inferiores a R$ 80, valor vigente até então. “Vou pagar por mais tempo, mas pelo menos não me aperto muito com a prestação”, diz, satisfeito com a solução.

Linhas — Os bancos têm várias opções para quem pretende fazer refinanciamento. O banco PanAmericano, por exemplo, lançou recentemente o “Tapa-buraco”. A linha refinancia dívidas de cheque especial com qualquer banco, com taxas de juros 50% inferiores aos do crédito original. O prazo para quitação do empréstimo é de 24 meses. Há cobrança de Taxa de Abertura de Crédito (TAC).

Em outubro do ano passado, o Santander lançou o “Cheque essencial”, para financiamento do saldo devedor dos clientes do banco com 50% de desconto nos juros e até 36 meses de prazo. Quando o sistema do banco percebe que o cliente está há muito tempo com saldo negativo na conta-corrente, libera automaticamente o crédito — que inclui cobrança de TAC de 6% do valor do empréstimo, limitada a R$ 220. Segundo o vice-presidente executivo de marketing e negócios, José Paiva, se o cliente não quiser o crédito, o banco devolve a TAC e cancela a operação.

O Banco do Brasil também criou linha de refinanciamento para cheque especial. De acordo com a instituição, quando o cliente chega a usar 30% do limite e continua com a conta descoberta, o gerente entra em contato e oferece uma das diversas linhas específicas para cobrir o saldo negativo. Os empréstimos podem ser quitados no prazo de dois a 72 meses, com juros de 1,31% a 5,5% ao mês, dependendo do cliente. A menor taxa é para aposentados.

Vale lembrar que, para qualquer tipo de financiamento, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) está mais alto desde janeiro. Com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo dobrou a alíquota, de 1,5% para 3%.