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Natal terá o menor juro do Real

Guarulhos, 28 de novembro de 2007

O forte crescimento da oferta de crédito no País, reforçado pela contínua queda das taxas de juros, sustenta a perspectiva otimista para a indústria e o comércio no fim deste ano. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, o Natal de 2007 deve ter os menores juros desde o início do Real. “Sem dúvida, do ponto de vista das taxas, as condições serão as melhores da série e com prazos de financiamento mais dilatados”, afirmou.

Dados preliminares de novembro, até o dia 9, mostram que a trajetória de queda do juro continua: a taxa média caiu 0,2 ponto percentual, para 35,2% ao ano. No mês passado, a taxa ficou em 35,4%, com recuo de apenas 0,1 ponto ante setembro. A redução tem sido liderada pelas operações para as pessoas físicas, com corte de 0,5 ponto, para 45,3% anuais.

“Tenho a impressão de que, a despeito da parada nos cortes do juro básico da economia, ainda temos margem para taxas menores por meio da redução do spread”, disse Lopes, referindo-se à taxa Selic, que o BC parou de baixar. Na prévia deste mês, o spread — diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram para emprestar — caiu 0,4 ponto, para 24 pontos percentuais.

A queda dos juros, porém, não tem sido observada nos empréstimos para as empresas. Na prévia deste mês, foi registrada ligeira alta de 0,2 ponto no juro, para 23,6% anuais. Segundo Lopes, o dólar em queda tem alterado as condições de empréstimos feitos com recursos captados no exterior, o que gera ajuste para cima na taxa. Isso porque o dólar mais baixo cria expectativa de desvalorização no futuro, o que representaria um custo maior no crédito.

Expansão — O volume total de crédito aumentou 2,7% em outubro em relação a setembro, e atingiu a marca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a R$ 880,303 bilhões. A relação entre crédito e PIB, que em setembro estava em 33,3%, atingiu no mês passado o maior nível desde junho de 1995. “O número de 34% é bastante alto para a economia brasileira.”

O indicador, que é o mais usado para analisar a evolução do crédito, cresce ininterruptamente desde agosto de 2006, quando estava em 29,4%. Em 12 meses, o indicador subiu 4,2 pontos percentuais do PIB. Para Lopes, o crescimento da renda e do emprego, a redução nos juros e o aumento nos prazos de financiamento têm impulsionado a expansão.

Na avaliação do diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, a alta do crédito tem impulsionado a expansão mais forte da economia, embora se realimente do maior nível de atividade, que eleva a renda e o emprego. “há uma expansão bastante vigorosa”, disse.

Em outubro, o crescimento dos empréstimos foi liderado pelas empresas, que têm tomado recursos para os preparativos de fim de ano, um comportamento padrão desta época. Em relação a setembro, o varejo aumentou os empréstimos em 3,3% e a indústria em 3,1%. Lopes disse que a indústria tem usado o dinheiro para aumentar a produção; e o comércio, para reforçar estoques.

No segmento de pessoa física, o volume das operações avançou 3,1%. O destaque ficou com as operações de leasing — espécie de aluguel que dá direito à compra do bem no fim do contrato — de veículos, que aumentou 11,4%.