Hora de repensar aplicações
A pausa no processo de redução da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ao manter os juros em 11,25% ao ano, já tem feito investidores repensarem seus investimentos. Embora a redução esperada fosse de apenas 0,25 ponto percentual, a interrupção mostra uma mudança de tendência a médio prazo. Agora, os analistas esperam novos cortes só em 2008.
Na corrida das aplicações financeiras, quem volta a disputar lugar no pódio são os fundos DI, mas desde que tenham taxa de administração baixa, inferior a 1,5% ao ano, dizem os especialistas. Esses fundos acompanham a Selic, pois compram títulos pós-fixados do governo federal.
Para Carlos Cintra, gerente de renda fixa do Banco Prosper, a dúvida agora é se os juros voltarão a cair em abril ou em julho do ano que vem. “Com esse cenário, fica interessante aplicar em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e títulos federais prefixados e de longo prazo, já que o cenário ainda é de queda dos juros”, diz o analista. “Nos fundos DI, há taxas convidativas, mas há títulos prefixados para 2010 que oferecem 0,50 ponto percentual ao ano a mais”, completa Cintra.
Multimercados – Os fundos multimercados também surgem como boa opção no cenário atual. Exemplos desses títulos são as Letras do Tesouro Nacional (LTNs), que pagam a rentabilidade no vencimento, e as Notas do Tesouro Nacional da série F (NTNs-F), que oferecem juros semestrais e no vencimento do título. Uma forma de adquiri-los é pelo Tesouro Direto, sistema de compra e venda de papéis do governo pela internet. Outra forma, indireta, é via fundos de renda fixa, que compram estes títulos.
Luiz Ozório, professor de Finanças da faculdade de Economia do Ibmec, explica que esses títulos dão ganhos quando há expectativa no mercado de queda da taxa básica. Além de prefixarem os juros na hora da compra, passam a ser mais procurados e, portanto, começam a valer mais.
Para Cintra, do Banco Prosper, é possível encontrar oportunidades nos fundos multimercados, pela possibilidade dessas carteiras de investir em ações. Os papéis ainda oferecem boas oportunidades, de acordo com ele. “Mas o fundo não deve estar 100% em ações”, alerta o analista.
Ações – Uma possibilidade que tem atraído muitos investidores é o mercado de ações. Mas ele deve ser olhado com cautela, para não virar mais um “canto da sereia”, segundo os especialistas. “Acho preocupante a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) em termos de volatilidade. Estamos já no quinto ano de alta seguida. Acho muito perigoso entrar ou aumentar a exposição agora”, afirma o administrador de investimentos Fabio Colombo.
De 2003 a 2006, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, acumulou valorização de 196,9%. Quem investiu em um fundo simples, que copia as ações que formam o índice, quase triplicou o patrimônio. Neste ano, o índice já acumula alta de mais 44,52%, com o 40º recorde do ano batido na última sexta-feira.
Inflação – Para Colombo, mesmo que os juros continuem a cair, ainda estão altos e uma parte deve ser investida neles. Outra possibilidade de diversificação para segurança estaria nas aplicações atreladas à inflação. No momento, os únicos títulos ligados aos índices de preços são as Notas do Tesouro Nacional da série B (NTNs-B), que acompanham o indicador oficial do País, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “E, para quem quiser ter investimento em euro, dólar e até ouro, pode valer ter 10% da carteira como um seguro, para o caso de piora no cenário econômico”, diz.
Já Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management, acha que, entre DI e renda fixa, os ganhos são pequenos. “Não temos mais juros de 25% ao ano para cair para 10%. Agora, vai cair de cerca de 11% para 10,50%”, afirma.
Ele avalia que o mercado de ações seria apenas a “ponta do iceberg” da procura do investidor por apostas mais agressivas. A procura pelas ações da Bovespa Holding — criada para abertura de capital da própria Bovespa —, que estrearam no topo da estimativa e subiram 52,13% em um dia, mostra a aposta do mercado no negócio das bolsas.







