Consumidor já se preocupa com os vilões da conta de luz
Na hora de comprar uma geladeira nova, um chuveiro para substituir o que quebrou ou um aparelho de ar-condicionado para enfrentar o verão, que promete ser quente, não só o preço e a estética do produto são levados em conta pelo consumidor. Um item, até há pouco tempo desprezado, começa a ganhar a cada dia mais importância. Trata-se da eficiência energética dos equipamentos. Ou melhor: quanto ele contribuirá para aumentar ou reduzir a conta de luz
Embora o Inmetro tenha criado um selo específico (Procel) para orientar o consumidor sobre o consumo de energia desses produtos, que pode variar em até 40% entre o mais eficiente e o mais gastador, a cultura de economia ainda não é significativa quando se trata do preço. “As pessoas no Brasil ainda preferem pagar menos pelos produtos, mesmo que isso signifique um custo a mais na conta mensal de luz”, diz o diretor comercial da Springer Carrier (empresa do ramo de ar-condicionado), Marcos Torrado. Em alguns casos, a diferença de preços, para baixo, dos equipamentos domésticos de maior consumo de energia chega a 30%.
De acordo com o executivo, 60% a 70% dos consumidores dos países da Europa preferem produtos mais caros, mas que gastem menos energia, a produtos mais baratos, mas que, em contrapartida, consumam mais energia. “São economias mais evoluídas, em que o consumidor tem uma grande preocupação com a eficiência do produto, já que sabe que vai recuperar em pouco tempo o valor gasto a mais na hora da compra, com a redução gradual da conta de luz”, diz.
Para atender ao mercado brasileiro, a empresa tem em seu portfólio produtos de diferentes níveis de consumo. “Em regiões em que o uso do ar-condicionado é mais antigo, como no Rio de Janeiro, percebemos que há uma preocupação em baixar o consumo de energia com a aquisição de novos produtos. Já em mercados como São Paulo, a motivação maior ainda é o preço”, diz o executivo da Springer Carrier.
Dentro da linha de produtos considerados eficientes, a empresa destaca um modelo de aparelho de ar-condicionado da Toshiba, o Inverter Multi System, em que o gasto com a energia é 40% menor do que o de modelos convencionais.
O empresário José Carlos foi um dos clientes da empresa que decidiu comprar quatro modelos do aparelho da Toshiba, justamente para reduzir a conta de luz de sua nova casa, em Valinhos, interior de São Paulo. “Além de ser mais econômico, optei pelo produto por fazer menos ruído”, diz o comprador.
Politicamente correto – O ambiente também foi outro fator de preocupação na hora da construção. “Optamos em toda a obra por materiais ecologicamente corretos. E estendemos a preocupação para os eletrodomésticos. Procuramos não só equipamentos de ar-condicionado de alta eficiência energética, como adotamos a mesma postura na hora de comprar geladeira e freezer”, comenta.
A agressão ao ambiente já é o principal aspecto levado em conta pelos japoneses na hora de comprar eletroeletrônicos. Segundo Luiz Mitsuaki Wakatsuki, da Fujitsu, empresa de refrigeração e ar-condicionado, enquanto no Brasil a grande maioria ainda é levada pelo preço na hora da compra, no Japão esse é um fator secundário. “Aqui primeiro se pergunta quanto custa. Não há uma preocupação se o produto irá agredir a camada de ozônio, diferentemente do que acontece no Japão, em que 95% das nossas vendas são voltadas para pessoas com esse tipo de preocupação”, diz. A empresa tem uma linha de ar-condicionado residencial no Brasil que leva o Selo A da Procel, ou seja, o de menor consumo de energia, dentro da classificação do Inmetro.







