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Mercados estão à beira de um ataque de nervos

Guarulhos, 10 de agosto de 2007

O alastramento para um banco europeu dos problemas de liquidez causados pela crise no setor norte-americano de hipotecas de segunda linha, o chamado subprime, determinou intervenções do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) por meio da oferta de recursos ao mercado

O BCE injetou US$ 130,2 bilhões nos bancos europeus em caráter de emergência, e o Federal Reserve forneceu no mercado aberto o maior montante em dólares desde abril deste ano, um total de US$ 24 bilhões. O Banco do Canadá também afirmou que vai oferecer liquidez para dar suporte à estabilidade do sistema financeiro canadense e o funcionamento contínuo dos mercados financeiros. O BC do Canadá vai recomprar títulos públicos na próxima quarta-feira por US$ 381 milhões.

A ação que levou as bolsas a caírem se resume no seguinte: o francês BNP Paribas anunciou que congelou o resgate de três de seus fundos, cujos ativos totalizam US$ 2,2 bilhões, por incapacidade de mensuração de valores; e o alemão Commerzbank avisou que foi obrigado a fazer provisões para cobrir perdas em relação ao subprime.

A reação foi a atuação coordenada dos bancos centrais da Europa, Estados Unidos e Canadá, que injetaram recursos no mercado para oferecer liquidez aos participantes. O Bundesbank, o banco central alemão, também agiu ontem, ao comunicar uma nova reunião para discutir uma crise financeira do IKB Deutsche Industriebank, que tem participação do governo e está com problemas. Os analistas interpretaram a notícia como uma indicação de que o BC alemão organizava um pool para aliviar as dificuldades do IKB, causando nervosismo – operação depois confirmada.

“O grave do dia de ontem (9) é que o subprime parece, enfim, ter acertado uma grande instituição (BNP). Além disso, chama a atenção estarem ocorrendo problemas em carteiras alemãs, uma vez que estes investidores são bastante conser-vadores”, comentou o gerente de análise de riscos da Infinity, André Ng.

Na opinião dele, o volume elevado de recursos injetados no mercado pelos bancos centrais desses países pode ser um forte indício de que as autoridades estão vendo turbulências mais adiante, e estariam se antecipando a elas.

Vale destacar que, por enquanto, as notícias que têm pipocado a respeito do crédito subprime mostram apenas um lado, o dos gestores. Os investidores ainda não se desatinaram numa corrida de saques e, por isso, ainda não viraram fato. Uma possibilidade aventada no mercado financeiro é a de que isso não está ocorrendo porque os principais credores desses fundos de alto risco são outras instituições financeiras, que estão preferindo se resguardar: uma corrida aos saques pode gerar um problema sistêmico, e o momento agora pede cautela.

Crise deve continuar – As bolsas de valores da Ásia abriram em queda hoje, seguindo o forte declínio que ocorreu no mercado de ações dos EUA e da Europa ontem, fato que indica que a turbulência ainda deve continuar. A Bolsa de Tóquio abriu com o índice Nikkei 225 em queda de 2,12%. Já a Bolsa de Seul abriu com queda de 3,3%. ( AE )