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Investidores vendem e Bolsa cai

Guarulhos, 05 de junho de 2007

A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 0,34% nesta segunda-feira, a 53.242 pontos, após semana em que subiu 3,5% e bateu recorde histórico duas vezes (na quarta e na sexta-feira). Já o dólar subiu 1,37% na sessão de hoje, com a maior variação positiva desde fevereiro, e fechou cotado a R$ 1,928 na venda

O recuou da Bolsa paulista acontece no mesmo dia em que o mercado de ações da China registrou queda de 8,3%, a segunda mais forte da década, atrás apenas da de 27 de fevereiro deste ano. A desvalorização na China ainda é reflexo de medida do governo daquele país, tomada na semana passada, de aumentar o imposto cobrado sobre operações com ações.

Especulações

Economistas têm afirmado, no entanto, que o tombo chinês não influenciou diretamente as Bolsas dos demais países. No Brasil, os investidores aproveitaram o dia para realizar lucros (vender suas ações para obter dinheiro após a valorização recente dos papéis).

A corretora de câmbio NGO, por exemplo, afirmou em relatório que o mercado chinês, “dadas as suas características muito pontuais e ambiente de forte especulação”, não interfere, “a rigor, (…) pesadamente nas Bolsas americanas e por conseguinte nas demais Bolsas importantes do mundo”.

“Porém, como o ambiente global predominante é de forte perfil especulativo, uma queda acentuada (como a da Bolsa chinesa hoje) acaba por motivar alguns mercados, entre os quais o brasileiro, a aproveitar para uma rodada de realização de lucros (momento em que os investidores vendem suas ações para obter dinheiro com a valorização recente dos papéis)”, afirmou.

Também na opinião do primeiro vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Intrnacional (FMI), John Lipsky, a queda acentuada das ações na China não afeta os demais países. Ele disse hoje que “não há razão para pensar isso, uma vez que não há razão para pensar que isso implica em ruptura dos fundamentos da economia internacional”.

Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones (que reúne ações de empresas da economia tradicional) e Nasdaq (que abrange companhias diretamente relacionadas à tecnologia) fecharam em alta. O motivo é que a alta das ações de energia e uma nova rodada de aquisições contrabalançaram as preocupações sobre a forte queda nas ações chinesas

Dólar
O câmbio vinha subindo desde a abertura os negócios do dia e passou a acentuar a alta durante a tarde. Mesmo assim, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares à vista, encerrado às 15h57, o que ajudou a impulsionar a cotação.

Mas a tendência do dólar continua sendo de queda, segundo analistas. A entrada da moeda estrangeira no país continua intensa. Para Sérgio Goldenstein, diretor da ARX Capital, a baixa é estrutural e não cíclica.

“As instituições estão revendo para cima as projeções de superávit comercial deste ano e as expectativas variam de US$ 45 bilhões a US$ 47 bilhões. Devemos receber, neste ano, cerca de US$ 20 bilhões de investimento estrangeiro direto. E, nos próximos dois meses, pelo menos US$ 6 bilhões destinados ao lançamento inicial de ações em Bolsa”, calcula.

Na semana passada, a queda acumulada foi de 2,56%. Na sexta-feira, de 1,25%, mesmo com duas atuações do Banco Central. Em cinco dos seis últimos pregões até sexta, a moeda estrangeira fechou em baixa.