Maioria das fraudes em empresas é cometida por executivos
Nove em dez casos de fraudes em empresas são cometidas com a participação dos próprios funcionários. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa internacional divulgada nesta quinta-feira, 3, pela consultoria KPMG. Baseado na análise de 360 casos atuais de investigação de fraudes na Europa, Oriente Médio, África e Índia, o estudo mostra que 60% dos funcionários envolvidos são executivos do alto escalão das organizações.
No Brasil, a pesquisa bienal mais recente feita pela consultoria, divulgada em 2004, teve participação de cerca de mil das maiores empresas no País e mostrava uma situação um pouco diferente. Aqui, 60% das fraudes eram cometidas por funcionários. Dentre eles, 57% eram da área de suporte, enquanto apenas 1% pertencia à alta gerência.
“As fraudes cometidas por funcionários de suporte são mais freqüentes, mas os crimes cometidos pelo alto escalão são sempre mais sérios e danosos tanto para a saúde financeira quanto para a imagem e reputação da organização”, diz Werner Scharrer, sócio da KPMG no Brasil. Diferente dos funcionários, que têm limites e alçadas, a alta gerência tem mais liberdade e poder.
O estudo internacional mostra que 36% dos fraudadores já trabalhavam na empresa entre três e cinco anos. Pior: quase 91% dos infratores não se contentavam em realizar apenas uma transação fraudulenta. “A maioria das empresas, ao longo de suas vidas corporativas, enfrentará fraudes, de uma forma ou de outra”, diz Scharrer. “Se sobreviverão às experiências ou emergirão mais fortes, dependerá, em última análise, das atitudes e dis processos internos em vigor, para responder, controlar e prevenir esses crimes.”
Informações não são divulgadas
De acordo com a pesquisa, em 50% dos casos as empresas não comunicam internamente sobre a fraude, enquanto 15% selecionam algumas informações para dividir com os colaboradores. “Essa situação reflete na mídia e nas autoridades, que raramente são informadas sobre a maioria dis casos e, com isso, dificilmente os delitos são submetidos a investigações criminais”, explica o sócio da KPMG no Brasil.
O estudo de 2004 mostra que, das mil empresas entrevistadas pela KPMG no País, 69% haviam sofrido algum tipo de fraude no período pesquisado. Entre as fraudes mais freqüentes, estavam falsificações de cheques ou documentos, além de roubo de ativos, alterações de despesas e notas “frias”. Em 83% dos casos, foram registradas perdas inferiores a R$ 1 milhão por ação fraudulenta. A recuperação do dinheiro não foi possível em 49% dos relatos.





