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Santo feriado?

Guarulhos, 26 de abril de 2007

O feriado prolongado pode motivar o paulistano a viajar e interromper as vendas

Mesmo se o dia 11 de maio, data que antecede o segundo melhor dia de vendas para o comércio, o Dia das Mães, for decretado feriado por causa da canonização de Frei Galvão e da visita do Papa Bento 16 à São Paulo, o comércio da capital paulista não fechará as portas. Isso para tentar não amargar prejuízos às vésperas do Dia das Mães. Segundo o presidente do Sindicato dos Comerciários, Ricardo Patah, um acordo firmado entre os sindicatos patronal e dos comerciários permitirá que lojistas abram suas portas sem nenhuma penalidade. “O comércio não terá prejuízo. Os lojistas que quiserem poderão abrir normalmente. A visita do Papa e a canonização de Frei Galvão poderão até aumentar as vendas, uma vez que pessoas de todo Brasil virão acompanhar a festa”, disse.

A opinião do sindicalista é compartilhada pelo presidente da União dos Lojistas da 25 de Março (Univinco), Miguel Giorgi Junior, que acredita que o movimento da Rua 25 de Março, uma das mais populares de São Paulo, não diminuirá por causa do possível feriado. “A data não obriga os comerciantes a não trabalhar. A maioria das lojas permanecerá aberta para aumentar as vendas”, afirmou Giorgi.

Decretar a sexta-feira que antecede o Dia das Mães feriado municipal é projeto do vereador Domingos Dissei (DEM) e depende apenas da sanção do prefeito Gilberto Kassab. Já o feriado nacional é projeto do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e deve ainda passar por várias comissões antes de ser sancionado pelo presidente Lula. Se aprovado, o feriado municipal acontecerá sempre que um papa visitar a cidade e realizar eventos abertos ao público. Ao contrário da proposta nacional, apenas para este ano, quando acontece a canonização de Frei Galvão.

Excesso – Há quem ache que a criação de mais um feriado seja um excesso. “Não sou contra a homenagem a Frei Galvão e ao papa Bento 16, mas acho que feriado demais prejudica toda a cidade, ainda mais em uma sexta-feira. O comércio corre um grande risco com feriados de vários dias. As pessoas, geralmente, aproveitam a folga para viajar e as vendas ficam prejudicadas. Apesar disso, acredito que as lojas funcionarão normalmente e que haverá um aumento de 10% nas vendas do Dia das Mães sobre 2006”, disse Ruy Pedro Nazarian, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas).

Para o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, se for decretado feriado no dia 11, o comércio será prejudicado por ser uma data que antecede o Dia das Mães. “Temos de homenagear o primeiro santo brasileiro sim. Mas poderíamos pensar em outra data para não prejudicar a economia do País. Ao mesmo tempo que teremos visitantes de outras cidades, muitos que moram em São Paulo irão aproveitar o feriado de três dias para viajar”, disse.

A visita do papa Bento 16, Joseph Ratzinger, começa no dia 9, quando ele desembarcará no Aeroporto Internacional de Guarulhos, às 16h30.