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PAC reduziu queda do juro básico

Guarulhos, 05 de fevereiro de 2007

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi um dos motivos que levaram o Banco Central (BC) a reduzir o ritmo de queda da taxa básica de juros (Selic). É o que revela a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem. Mesmo sem citar especificamente o PAC, o BC aponta no texto o risco de o aumento dos gastos do governo com o programa elevar ainda mais a demanda da economia e provocar novas pressões sobre os preços.

Para o BC, esse é um risco adicional para a inflação, neste momento em que a demanda doméstica já se expande a taxas “robustas” por causa do processo de queda da Selic desde 2005, e do aumento da oferta de crédito, da renda das pessoas e das despesas do governo no ano passado.

Na contramão da cautela do BC, no entanto, a ata informa que as projeções de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) continuam em queda para níveis mais baixos do que o centro da meta de 4,5% fixada para 2007. Para 2008, as estimativas também caíram. Os integrantes do Copom argumentam no documento que os dados sobre atividade econômica ainda não sugerem uma probabilidade elevada de pressões significativas sobre a trajetória da inflação no curto prazo.

Mesmo assim, eles decidiram na reunião da semana passada — dois dias após o anúncio do PAC — reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para 13% ao ano. A decisão não foi unânime. Nas cinco reuniões anteriores, o Copom havia reduzido os juros em 0,5 ponto percentual.

Superávit — Pela primeira vez, o BC incluiu em uma ata do Copom a possibilidade de as contas do setor público fecharem 2007 e 2008 com um superávit primário menor do que a meta de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), por causa da implementação do Projeto Piloto de Investimento (PPI). O novo PPI, incluído no PAC, permite que a meta seja reduzida em até 0,5 ponto, para 3,75% do PIB.

Além disso, o BC previu que a expansão da indústria brasileira vai se acelerar em 2007, favorecida por “impulsos fiscais” – como o Copom prefere chamar o aumento dos gastos do governo – e pela redução dos juros já adotada até agora.

Para justificar a queda no ritmo de flexibilização da taxa de juros, o Copom apontou quatro fatores: os estímulos já existentes para a expansão da demanda agregada, as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária para a economia, os cortes de juros já implementados e a menor distância entre a taxa básica corrente e os juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo (a taxa de equilíbrio é a que permitiria crescimento sem inflação).

Foi com base nessas variáveis que cinco diretores do BC votaram em favor da adoção de “parcimônia já”. Outros três integrantes do Copom, no entanto, consideraram que ainda existia algum espaço para adiar a redução na velocidade de queda dos juros.

Para o economista-chefe da Corretora Concórdia, Élson Teles, as incertezas levantadas pelo Copom não serão suficientes para interromper a trajetória de queda dos juros. “Pelo menos até o final do primeiro semestre podemos contar com a continuidade dos cortes. Mas a possibilidade de a magnitude das reduções voltar a ser de 0,5 ponto é praticamente inexistente”, afirmou Teles, que não descarta a hipótese de interrupção da queda dos juros no segundo semestre.