Lula muda o tom e ataca tucanos
Bem diferente do debate realizado pela TV Bandeirantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se deixou intimidar pelo adversário, o tucano Geraldo Alckmin. Bem mais ácido, irônico e mais à vontade, Lula rebateu as acusações de Alckmin e ainda atacou o governo tucano no governo de São Paulo, além de comparar números de sua gestão com a de seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Quando Alckmin começou a falar sobre as denúncias de corrupção no governo do PT, Lula rebateu: “Esta vai ser a campanha de uma nota só”. Neste momento, o tucano provocou: “Não é uma nota só. São 1,7 milhão de notas”.
Lula buscou falar diretamente com o seu eleitor, e colocar-se como defensor dos pobres, caracterizando Alckmin como o candidato das elites. Chegou a chamá-lo de “colonizado”, e disse que, para o tucano, “só vale o que sai no New York Times”.
Lula também falou de avanços na área da saúde e do programa Luz para Todos. Mas, ao invés de citar estatísticas, argumentou atacando Alckmin. Disse, por exemplo, que a Saúde no Brasil, embora não esteja perfeita, nunca esteve melhor. E ironizou o adversário, dizendo que ele não devia mesmo conhecer a rede de saúde pública. “Ele tem plano de saúde”, provocou.
“Estou cuidando da saúde pública como não foi feito no estado de São Paulo, e como vocês não fizeram no Brasil nos últimos oito anos”, voltou a atacar o presidente.
“Alckmin é um tipo de pessoa que acha que investir em comida não é investir em Saúde”, afirmou Lula, dando início a uma série de números oficiais para comparar o seu governo com o de Fernando Henrique. E citou ainda mais números no momento das considerações finais, em que chamou os oito anos de governo FHC de “anos perdidos”. E, então, Lula falou de seu sonho de transformar o Brasil num País de “muito mais oportunidades para todos”.
O petista disse que recebeu o país “atrofiado” das mãos de Fernando Henrique. “O brasileiro é inteligente, ele sabe que o País só pode ser comparado consigo mesmo”.
Lula também provocou Alckmin sobre a questão da privatização das estatais, e disse que gostaria de saber onde foi parar o dinheiro da venda.
O presidente culpou a oposição – em especial o PSDB – pela não aprovação do Fundo da Educação Básica (Fundeb) no Congresso. “Vocês tiveram deputado para absolver mensaleiros, mas não tiveram para aprovar o Fundeb?”, rebateu, irônico, Alckmin.
Além disso, Lula também falou da proposta dos partidos de oposição de estender o aumento do salário mínimo para as aposentadorias. “O PFL e o PSDB sabem que é impossível fazer isso sem quebrar a Previdência, mas ainda assim eles fazem a proposta, só para virem aqui fazer discurso.”







