Notícias

Consumo nos feriados

Guarulhos, 19 de junho de 2006

Há um conceito estranho em relação aos fins de semana próximos a feriados, que merece ser discutido. Nesses períodos, muitos clientes dos jornais pedem suspensão da publicação dos anúncios contratados, sob a alegação de que, por se tratar de feriado prolongado, a cidade ficará vazia e a inserção não faria efeito.

É bem verdade que nessas ocasiões muita gente viaja. Mas será que a maioria viaja, ou uma minoria? Lógico que se fosse tanta gente assim que saísse ao mesmo tempo das grandes cidades, nenhuma estrada comportaria o movimento. Todas elas têm forte acréscimo no tráfego, mas é absolutamente certo que a grande maioria da população não viaja.

Boa amostra disso é que, na quinta-feira de Corpus Christi, por exemplo, os estacionamentos dos hipermercados de Guarulhos estavam quase lotados; shoppings muito movimentados, cinema com filas, como sempre acontece.

O Brasil tem um elevado número de feriados. Neste ano, boa parte deles cai próximo a fins de semana. O serviço público costuma ter ponto facultativo nos dias de intervalo, como ocorreu nesta semana. Mas muita gente prefere não enfrentar a estrada, nem aglomeração nas praias; outros não têm para onde ir; não gostam de viajar ou, simplesmente, não têm dinheiro para isso.

O fato é que, mesmo quando muita gente viaja, ainda ficam muitos consumidores na cidade. Com feriado ou não, as pessoas precisam comer, vestir, calçar, fazer algum reparo em casa, continuar uma construção, pintar uma parede, instalar um lustre. Em resumo, continuam vivendo.

É indiscutível que tantos feriados acabam causando prejuízo ao Brasil. Mas quanto mais nos escondermos, quanto mais negarmos a importância dos consumidores que ficam na cidade, maior será esse prejuízo.