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Dia de alforria do contribuinte

Guarulhos, 26 de maio de 2006

Se em 13 de maio se comemora a liberdade dos escravos, hoje é dia de festejar a alforria dos contribuintes. Isso porque cada cidadão brasileiro trabalha cerca de 145 dias do ano – de 1° de janeiro até 25 de maio – só para pagar impostos, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). “O brasileiro vai deixar de ser escravo dos impostos”, disse o encarregado fiscal Celso Santana, na Praça Antônio Prado, região central de São Paulo, que no início do século XVIII era povoada por escravos. Para Santana, é um absurdo direcionar para os cofres públicos quase cinco meses do salário. “Se tivéssemos retorno de toda essa carga tributária, o brasileiro não reclamaria de pagar tantos impostos”, afirmou.

A advogada Márcia Gomes concorda. “Se víssemos mais obras públicas, seria mais consolador”, disse. Para ela, o problema é que o brasileiro mais paga impostos do que recebe para viver. “Se considerarmos todas as despesas domésticas, sobra muito pouco para uma poupança ou um investimento”, contabilizou a advogada.

O casal Giorgio Donofrio, fotógrafo, e Fabiana Cardoso, estudante, disse que se sente enganado ao saber que, por um período tão longo do ano, a renda dos trabalhadores vai para o governo. “No Canadá, 40% do salário dos trabalhadores ficam com o governo, mas eles vêem a contrapartida disso nos serviços públicos. Nós, não”, comparou Donofrio. “Eu até coletei assinaturas para um movimento que luta pela revelação dos impostos embutidos nos produtos que compramos nos supermercados”, disse Fabiana, referindo-se ao movimento De Olho no Imposto, que luta pela discriminação, nas notas fiscais, dos impostos embutidos nas mercadorias e serviços.

Revolta – A fatia do salário reservada ao Fisco revolta a auxiliar geral Valdelice Morbeck. “Acho um absurdo! É só olhar no holerite para ver que quase nada fica com a gente”. O analista de sistemas Denis Dainese também se lembra da alta carga tributária brasileira todo mês. “Fui obrigado a me tornar pessoa jurídica para que a empresa onde trabalho não tenha que pagar tantos impostos. Com isso, quase 12% do que ganho mensalmente vai para o pagamento de tributos”, lamenta. “Acho uma injustiça ter que pagar impostos por 145 dias do ano”, completou.

No Pátio do Colégio, quando o assunto é impostos, a população ainda se lembra do mensalão. “Não é justo pagarmos tanto imposto porque sabemos que o governo acaba usando esse dinheiro para benefício próprio, como no mensalão”, criticou a operadora de máquina Maria do Socorro Nunes de Lima. Já a amiga de Maria, a auxiliar de expedição Adriana Dias lembrou o mau uso do dinheiro que vem dos impostos. “Quando vou a um hospital público, tenho que esperar pelo menos quatro horas para ser atendida”, reclamou.

Hoje, em Porto Alegre e Lajeado, a Associação da Classe Média (Aclame) comemora o “Dia da liberdade de impostos”. Na capital gaúcha, haverá shows em que as bebidas serão vendidas com o desconto do imposto. Já no município de Lajeado, lojistas e prestadores de serviços comercializarão eletrodomésticos, roupas e até um carro com o desconto equivalente à carga de tributos, valor que pode chegar a até 60% do preço.