Copom reduz juros em 0,75%
O Comitê de Política Monetária (Copom) determinou ontem a redução da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 0,75 ponto percentual, para 16,5% ao ano. A decisão, no entanto, não foi unânime. Seis diretores do Banco Central (BC) votaram pelo corte de 0,75 ponto e os três restantes queriam uma queda maior, de 1 ponto. A Selic agora está no menor patamar desde o mês de setembro de 2004. A ata da reunião, em que os diretores detalham os motivos que fizeram os juros caírem, sai na quinta-feira da próxima semana.
Enquanto a queda ficou dentro do esperado pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, o setor produtivo da economia, mais uma vez, se mostrou insatisfeito com o já tradicional conservadorismo do BC. De acordo com o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Guilherme Afif Domingos, a decisão de ontem desapontou os “representantes do setor real da economia, que esperavam uma queda maior dos juros”.
Na opinião de Afif, a melhor forma de o governo combater a escalada da inflação não é manter o juro alto, e sim “aprofundar o ajuste fiscal pelo corte de gastos públicos, o que, infelizmente, não está ocorrendo”. “Não desejamos o abandono da política de combate à inflação que vem sendo adotada pelo Banco Central, mas apenas que não se percam as oportunidades para cortes maiores dos juros”, disse Afif.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a decisão reafirma a total independência do Copom, que “não se preocupa com a ridícula taxa de crescimento que o País apresenta”.
De acordo com Skaf, o BC está alheio à opinião dominante no governo, não se importa com o ritmo comportado da inflação, sente-se livre dos princípios que regem a lógica e despreza as considerações críticas do setor produtivo.
Ritmo apropriado – O economista-chefe do ABN Amro Bank Asset Management, Hugo Penteado, recebeu com tranqüilidade a decisão do Copom. “O ritmo de queda dos juros está apropriado, condizente com as atuais condições da economia brasileira.” Penteado prevê que até julho a Selic esteja em 14,5% ao ano. “Nesse patamar, o juro permite o crescimento da produção no País sem provocar inflação”, disse. Para alguns analistas do mercado financeiro, a falta de consenso entre os diretores do BC na decisão pode apontar para cortes mais ousados da Selic daqui para a frente.
Imediatamente depois do fim da reunião do Copom, o Bradesco anunciou queda de juros em linhas de crédito para pessoas físicas e jurídicas. No cheque especial, por exemplo, o juro máximo cai, a partir de hoje, de 8,23% para 8,17% ao mês. A taxa mínima vai de 4,58% para 4,55% mensais.







