Quem não planeja faz duas vezes
Se estão atendendo sugestões, por que não antes?
As obras de readequação do Centro de Guarulhos dividiram as opiniões da população. Para os motoristas, a situação ficou bem pior, para os pedestres passou a haver mais espaço. Mas mesmo de pedestres surgiram muitas críticas, no que diz respeito à qualidade do serviço feito pela Prefeitura e por ter sido feita em período pré-eleitoral.
Foram criticados: o custo das obras, o critério de mexer em vários locais ao mesmo tempo, transtornando a vida dos munícipes; deterioração dos ladrilhos estocados nas ruas, ladrilhos quebrados logo após colocados, trechos rebaixados de calçadas que não tinham seqüência para uso de deficientes, além do estranho traçado em algumas ruas.
No caso da rua Luiz Gama, o Olho Vivo publicou a acusação à Prefeitura, na ocasião, de beneficiar uma lanchonete com as ilhas de convivência que foram construídas, nas quais foram colocados mesas e bancos de concreto. O comerciante defendeu-se, afirmando que, na verdade, estava sendo prejudicado, porque a obra não foi concluída, a calçada ficou apenas no concreto bruto, com desníveis, provocando acidentes com transeuntes.
Passado todo esse tempo, só agora a Prefeitura retomou os trabalhos no local. Mas, ao invés de completar o que estava feito, está modificando totalmente o projeto, arrancando as guias e sarjetas e instituindo vagas para estacionamento em 45 graus, para o que está construindo a calçada em bicos, sob o argumento de que atende a sugestões de comerciantes. Seria perfeitamente possível fazer o alinhamento normal e pintar as faixas no asfalto. A calçada em bicos representa risco de acidentes para os pedestres. Será que alguém imaginou o que isso pode acarretar a deficientes visuais ou físicos?
É sábia a máxima de que a gente nunca encontra tempo para planejar mas sempre encontra para fazer as coisas duas vezes ou mais. Quando acontece isso no poder público, o mais grave é que o povo paga duas vezes pelo mesmo serviço. Gasta-se tanto com assessorias e consultorias de todo tipo e ainda é preciso refazer o que nem sequer foi concluído. O contribuinte merece mais respeito.







