Docerias contratam para brilhar na Páscoa
De olho na Páscoa, diretores comerciais de cinco importantes docerias de São Paulo aumentaram em 60% as suas equipes, para possibilitar uma produção entre 15% e 28% maior. Com estratégias semelhantes, os executivos pretendem elevar o valor do tíquete médio (valor médio de cada venda) entre 16% e 25%, com vendas até 25% superiores em volume, em relação a 2004. Para chegar a esse resultado, as redes abrem franquias e lançam ovos de chocolate com itens mais caros, como Gianduia e Baileys, e embalagens mais sofisticadas.
Sem conseguir negociar muito com as indústrias de papel e cacau, fornecedoras do ramo, as docerias repassaram um reajuste de preços entre 7% e 15%. Em média, o quilo de chocolate será vendido a R$ 99. Também para incrementar a produção, os executivos investem 10% mais em maquinário e matéria-prima.
Apesar de oferecerem ovos de Páscoa mais caros, as docerias prometem conquistar clientes dos hipermercados. “Eles serão cativados pela beleza das nossas embalagens. Neste ano, com mais dinheiro no bolso, o consumidor estará disposto a gastar mais por um produto diferente”, prevê Laury Roman, diretor comercial da Ofner . Para ele, a intenção é reaver as perdas das três últimas Páscoas. “As bases ficaram comprometidas, mas esperamos um volume de vendas pelo menos 12% maior”. Roman atribui o crescimento à abertura de duas franquias da Ofner antes da Páscoa, uma delas ainda não inaugurada. “Contratamos 40 funcionários temporários”. Apesar da expectativa de mais vendas, o diretor diz que hoje a Páscoa representa 10% da receita da Ofner, percentual que já chegou a 15% em anos anteriores. “O tíquete médio será maior neste ano. Podemos até vender mais ovos menores, com preço mais baixo, e alcançarmos o mesmo tíquete de épocas em que vendíamos muitos ovos grandes”.
Há 53 anos no mercado, a tradicional confeitaria paulistana Dulca investiu R$ 100 mil na contratação de temporários, maquinário e matéria-prima, 68% a mais que em 2004. A meta, segundo Ricardo Motta, diretor de operações e comercial da Dulca, é produzir mais para elevar de R$ 45 para R$ 60 o tíquete médio de vendas deste ano. Depois de comprar 20% mais matéria-prima, a confeitaria aumenta em 25% sua produção. Estão sendo produzidas três toneladas de chocolates para mais de trinta opções de presentes.
De acordo com Motta, para possibilitar uma maior produção, 10 funcionários temporários estão ajudando uma equipe de 80 empregados. “A Páscoa representa 20% da nossa receita anual”. Entre os lançamentos da Dulca estão ovos ao leite e crocantes amarrados com fitas do Senhor do Bonfim e a Galinha dos Ovos de Ouro, uma cesta de arame em forma de galinha preenchida com 300 gramas de ovos ao leite embrulhados com papel dourado. Segundo o diretor, a recente inauguração de duas franquias no bairro do Itaim Bibi irá ajudar para que haja uma elevação de 25% nas vendas.
Simone Trovati, gerente de franquias e responsável pela área comercial da Cristallo , está investindo 10% a mais que no ano passado, principalmente na contratação de funcionários temporários. Para a Páscoa, ela quase dobrará a equipe de sua fábrica, que hoje conta com 50 funcionários. A Cristallo comprou 15% mais matéria-prima para a data e aguarda, segundo Simone, um volume de vendas 15% maior, apostando principalmente no lançamento Gianbaileys (ovo de chocolate sabor Gianduia recheado com bombons Gianduia ao creme licoroso Baileys). “Esperamos elevar o tíquete médio de compras, passando de R$ 45 em 2004 para R$ 60 neste ano. Procuramos manter a mesma qualidade dos anos anteriores e inovar as embalagens”.
A Kopenhagen , projetando vender 25% a mais nessa Páscoa, aumentou a sua produção em 28%, se comparada a igual período de 2004, e investiu R$ 500 mil em 10 lançamentos, publicidade e decoração. Renata Moraes, vice-presidente e responsável pela área comercial da empresa, diz que além dos 660 funcionários fixos foram contratados 100 funcionários para as lojas e 310 para a produção da fábrica durante a Páscoa.
Neste ano, ela aguarda um tíquete médio 16% superior, chegando a R$ 45. “Nosso carro-chefe será o Ovo Cookie”, comenta.
Pedro Porta, diretor de relações com o mercado, responsável pela área comercial da Di Cunto, ressalta que contratou 20 funcionários temporários, além dos 250 fixos, com a intenção de elevar em 12% sua produção para a Páscoa. Oferecendo não só artigos de confeitaria como também rotisserie, o executivo observa que o tíquete médio de compras será maior neste ano. “Além dos ovos, vendemos a colomba pascal e a trança de Páscoa. A data representa 15% das nossas vendas do ano inteiro”. Com matriz no bairro da Mooca, em São Paulo, a Di Cunto está no mercado há 70 anos. Desde o início, é administrada por imigrantes italianos da família que deu nome à empresa.
Reajuste
Devido a um aumento das matérias-primas, Laury Roman diz que os ovos de Páscoa da Ofner estão 15% mais caros neste ano, em relação ao ano passado. “Os nossos fornecedores não negociaram o reajuste, que já estava previsto”. O quilo de chocolate é vendido a R$ 88 pela rede.
Renata Moraes diz que o reajuste de preços da Kopenhagen também foi de 15%: o quilo de chocolate custa em média R$ 150 nas lojas da rede. “O ovo mais barato é o Nhá Benta de 20 gramas, por 4 reais. O mais caro é o ovo de 10 quilos ao leite, por 1.265 reais”, conta.
Motta repassou um reajuste de 10%. De acordo com ele, o quilo de chocolate custa R$ 90. Na Di Cunto, o reajuste ficou entre 7% e 9%. Segundo Porta, o quilo de chocolate custa R$ 57,50 na Di Cunto. Na Cristallo, segundo Simone, o quilo de chocolate varia de R$ 100 a R$ 110.
Stella Maya







