PMDB deixa governo Lula e lançará candidato em 2006
O PMDB decidiu, durante convenção nacional do partido, deixar a base governista do presidente Luís Inácio Lula da Silva e lançar candidato próprio para as eleições presidenciais de 2006. Foram 386 dos 396 votos da convenção a favor da propostas de deixar o governo e de entregar os cargos atualmente ocupados pelos peemedebistas.
Durante todo o dia, a convenção esteve embargada em razão de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que determinava o cancelamento da convenção. Essa liminar só foi cassada no final da tarde deste domingo, 12. Segundo o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), caso a liminar não fosse cassada, o resultado da convenção serviria como um indicativo da intenção do PMDB para o futuro. Uma votação simbólica aprovou a realização de uma moção para o afastamento do partido de pessoas que participam do governo Lula.
Liminar – O Tribunal de Justiça do Distrito Federal cassou a liminar que suspendia a realização da convenção do partido. A suspensão tinha sido determinada pelo desembargador Asdrúbal Nascimento, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, após analisar agravo de instrumento impetrado pelo senador Ney Sussuna (PB) no sábado à noite. No mesmo dia, mais cedo, o senador teve pedido semelhante negado pelo juiz Luiz Carlos de Miranda, também da Justiça do DF. Mesmo após o pedido de reconsideração feito pelo presidente nacional do partido, Michel Temer, o desembargador Asdrúbal Nascimento Lima manteve a decisão de suspender a convenção. A ala oposicionista do partido recorreu ao presidente do TJ-DF, desembargador José Jerônimo, para anular a liminar concedida pelo desembargador de plantão.
Oportunidade – Apesar da liminar, a convenção obteve quórum e foi realizada. Temer lembrou que o partido não poderia perder a oportunidade, estando o PMDB do Brasil inteiro reunido, de ouvir os convencionais sobre as várias teses propostas”.
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (RS), afirmou que a liminar proibindo a realização da convenção do PMDB poderia enfranquecer o encontro, mas não a vontade da maioria do partido de se tornar indenpendente e lançar um candidato próprio à presidência em 2006. Já o líder no Senado Renan Calheiros (AL), que faz parte da facção peemedebista a favor da permanência no governo, chegou a dizer que a realização do encontro era “um ato de desobediência civil”.
“Racha” – A divisão no PMDB entre a ala que defende a permanência do partido na base aliada e a que prega o rompimento com o governo se agravou na semana passada. A comissão executiva se reuniu e decidiu adiar a convenção, como queriam os governistas, mas deu prazo de 48 horas aos dois ministros do partido para que entreguem os cargos. Como a ala governista não acatou a decisão, ficou mantida a realização da convenção.
Ministros – Os dois ministros do partido – Eunicio Oliveira, das Comunicações, e Amir Lando, da Previdência – são favoráveis à permanência do PMDB na base de sustentação do governo Lula. A ala governista é encabeçada ainda pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). O presidente do PMDB, Michel Temer, faz parte do grupo favorável ao afastamento do governo, além de Orestes Quércia, que comanda os oposicionistas em São Paulo, assim como Anthony Garotinho, no Rio de Janeiro, que não esconde de ninguém suas intenções de se candidatar à presidência.
Saída – No dia seguinte à decisão do diretório nacional do PPS de entregar os cargos no governo federal e assumir posição independente no Congresso, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse que pôs o cargo à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ciro deu a entender que seu destino será mesmo procurar outra legenda.





