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Cotação do dólar subirá menos

Guarulhos, 14 de maio de 2003

As cem instituições financeiras e empresas de consultoria ouvidas pelo Banco Central (BC) em pesquisa semanal já trabalham com a hipótese de a moeda brasileira ter uma valorização real sobre o dólar em 2004. Com isso, no ano que vem, os técnicos acreditam que a cotação do dólar vai subir menos que a variação da inflação. Diante desta perspectiva, as instituições financeiras revisaram para baixo suas estimativas de superávit da balança comercial para o próximo ano.

Segundo dados da pesquisa divulgada na segunda-feira (12), a taxa de câmbio teria uma desvalorização nominal de 6,06%, aumentando de R$ 3,30 no final de 2003 para R$ 3,50 ao fim de 2004. Por outro lado, as estimativas de inflação para o IPCA (7,80%), IGP-DI (8%), IGP-M (8%) e o IPC-Fipe (7,24%), estão acima deste porcentual de desvalorização nominal do real frente ao dólar. Como as exportações estão diretamente relacionadas ao valor da moeda brasileira diante da americana, as previsões, de acordo com os dados da pesquisa divulgada caíram de US$ 16,15 bilhões para US$ 15,5 bilhões.

As estimativas de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos de 2004, por sua vez, ficaram estáveis em US$ 5 bilhões. O valor, no entanto, já é maior que os US$ 3,76 bilhões projetados para 2003 e supera as estimativas de déficit em corrente para o próximo ano de US$ 4,80 bilhões feitas há quatro semanas.

As exportações têm sido o carro chefe do crescimento da atividade econômica nos últimos anos e são impulsionadas, em grande parte, pela desvalorização real do câmbio. Apesar disso, as projeções de mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004 permaneceram estáveis em 3%. A manutenção pode ser explicada pelo fato de o mercado trabalhar com uma hipótese de corte dos juros entre o final deste ano e do próximo de 4,75 pontos porcentuais, com as taxas indo de 22% ao ano para 17,25% ao ano. Se confirmada, esta taxa de juros seria a menor desde maio de 2001, quando a meta para a taxa Selic estava em 16 75%.

Em uma semana em que vários indicadores econômicos atingiram níveis inéditos, como a variação dos títulos brasileiros no exterior, o C-Bond, e a cotação do dólar caiu consideravelmente, o mercado manteve o otimismo em relação à inflação. As previsões de IPCA (o indicador utilizado pelo governo na política de metas de inflação) para 2003 recuaram de 12,39% para 12,28%, ficando abaixo das estimativas de 12,30% de há quatro semanas. Foi a segunda queda consecutiva das estimativas semanais do mercado.

O porcentual está distante dos 8,5% de meta ajustada para o ano. As estimativas de IPCA em doze meses à frente também voltaram a cair e ficaram em 8,80%, contra os 9,11% de há quatro semanas. As previsões para o IPCA de abril e maio ficaram estáveis em 1% e 0,50%, respectivamente.