Croácia busca negócios com Brasil
A Croácia quer se firmar como a porta de entrada para o comércio com o centro e o leste da Europa. E, de quebra, pretende melhorar o pequeno comércio bilateral com o Brasil. Na semana passada, o diretor da divisão de países não europeus do Ministério das Relações Exteriores da Croácia, embaixador Nebojsa Koharovic, esteve em São Paulo para inaugurar um consulado na capital paulista e dar uma palestra para empresários sobre as oportunidades de negócios com o país – e através dele.
A intenção era apresentar a Croácia como ponto estratégico (por sua localização geográfica e infra-estrutura portuária) para as trocas comerciais com a Europa oriental e central. Os negócios brasileiros com os países dessas regiões movimentaram US$ 4,4 bilhões no ano passado.
“A partir do porto de Rijeka, no norte do país, formamos importantes corredores de produtos para países como Hungria, Áustria, República Tcheca e Eslováquia, entre outros”, diz o chefe da divisão de promoção comercial para a América do Sul da Croácia, Dragen Margeta. Ele lembra que, a partir de Rijeka, há o oleoduto do Adriático em plena operação. Também há um projeto de trazer petróleo da Rússia até a região do Mediterrâneo.
Ao mesmo tempo, a Croácia está investindo nas relações com seus vizinhos de continente. O país solicitou adesão à União Européia em fevereiro deste ano, além de já fazer parte da Organização Mundial do Comércio, OMC, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan.
“Essas informações são importantes porque estamos em um estágio de grande interesse por essa parte da Europa e há inúmeras possibilidades de expansão dos negócios. No entanto, é ainda um território pouco conhecido para muitas empresas brasileiras”, afirma o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Harry Simonsen Júnior.
Zonas livres – Para facilitar as operações de companhias estrangeiras, o governo estabeleceu em seu território 14 zonas livres. “As empresas brasileiras que se instalarem nessas áreas não precisarão se registrar como croatas, elas permanecerão brasileiras. Mas estarão isentas de taxas alfandegárias para a comercialização de seus produtos”, diz o chefe da divisão de promoção comercial croata, Dragen Margeta.
Por meio das zonas livres, a intenção é também a de melhorar os números do comércio bilateral com o Brasil. O movimento dos negócios entre os dois países foi de apenas US$ 29,8 milhões em 2002.
O número é pequeno, mas as possibilidades de expansão são grandes. “Fizemos uma pesquisa e verificamos que, na média dos últimos anos, as vendas para a Croácia significaram menos de 0,1% do total exportado pelo Brasil. As importações foram ainda menores”, diz o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Renato Abucham. Ele ressalta, porém, que essas estatísticas têm mostrado melhora nesses primeiros meses de 2003. “Isso deixa claro que há progressos e que o comércio bilateral poderá crescer bastante.”
Produtos – As exportações brasileiras são essencialmente de produtos da agroindústria, como soja, petróleo e café. As importações são de alumínio, turbinas e componentes elétricos.
Segundo os representantes do governo croata, as principais oportunidades de negócios estão, além da exportação de produtos com maior valor agregado, na cooperação nos setores de energia, infra-estrutura, telecomunicações, bancário-financeiro e farmacêutico, entre outros.
Para Nebojsa Koharovic, também é essencial destacar as similaridades entre os dois países e a estabilidade econômica croata. “Ambos têm uma dinâmica econômica muito forte. Nós ainda temos o maior índice de renda per capita da Europa nos últimos dois anos, além de uma alta taxa de crescimento da economia, apesar de termos saído de uma guerra em 1995”, comenta o diretor do Ministério das Relações Exteriores.
Koharovic acredita que o impulso para incrementar os negócios bilateriais será dado com a assinatura de dois acordos, um marítimo e outro de transporte aéreo, entre os países. Os rascunhos dos documentos já forma entregues pelos representantes da Croácia ao governo brasileiro.
Estela Cangerana







