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Estréia: Doidas Demais

Guarulhos, 24 de janeiro de 2003

arteDiversão garantida do começo ao fim, Doidas Demais, estréia deste final de semana, traz Goldie Hawn e Susan Sarandon no papel de duas lendárias ex-groupies que se reencontram pela primeira vez em 20 anos.

O filme vai ser mais apreciado por quem tem mais de 35 anos e qualquer pessoa que gostaria que a época áurea do rock'n'roll não tivesse sido comercializada e homogeneizada até perder sua rebeldia.

A animada e espirituosa barwoman Suzette (Goldie Hawn), cronicamente sem dinheiro e eternamente se rebelando contra as autoridades, trabalha no bar Whisky a Go Go, em Los Angeles, desde que Jim Morrison desmaiou em cima dela no banheiro do clube, muitos anos atrás.

Quando é demitida por insubordinação, ela parte para Phoenix sem aviso prévio para ver Lavínia Kingsley (Susan Sarandon), Vinnie, à procura de uma injeção de moral e possivelmente uma ajuda em dinheiro.

Frank Zappa apelidou Vinnie e Suzette de Banger Sisters, muitos anos atrás, em reconhecimento pelos “serviços” prestados por elas a músicos e roadies.

As duas amigas, hoje na casa dos 50 anos, não se vêem há duas décadas, mas, como Suzette não mudou em nada seu jeito de ser alegre e amante da liberdade, não passa por sua cabeça que Vinnie pode ter seguido um rumo diferente na vida.

Suzette está num posto de gasolina no meio do caminho, pedindo dinheiro às pessoas que passam para poder encher o tanque de seu carro, quando o muito correto Harry (Geoffrey Rush), 50 anos, louco para sair do ônibus interurbano no qual está viajando, oferece encher seu tanque se ela lhe der carona até Phoenix.

Roteirista que está sofrendo de bloqueio imaginativo, Harry desistiu de dirigir e de fazer sexo, por sua própria escolha, há dez anos. A espontaneidade de Suzette é sentida como ameaça por ele, ultrametódico e travado.

Enquanto isso, a antiga companheira de estripulias sexuais de Suzette, Lavinia, rompeu por completo com seu passado selvagem, tornando-se uma mulher conservadora e pudica, casada com o advogado Raymond, que não faz idéia sobre seu passado.

O casal tem duas filhas adolescentes, Hannah (Erika Christensen) e a mimada Ginger (Eva Amurri, filha de Sarandon na vida real), que jamais poderiam imaginar sua mãe, rígida e controladora, curtindo rock – e muito menos traçando roqueiros ao atacado.

O roteiro cômico, habilidoso e sempre leve é um passeio divertido pela escola de educação materna do estilo “faça o que eu digo, não o que eu faço” e uma cartilha sobre as aplicações construtivas da liberdade e da responsabilidade.

O filme consegue evitar qualquer sugestão de sordidez ao mesmo tempo em que deixa claro que Suzette e Vinnie tiveram relações de intimidade com praticamente todos os músicos hoje arquivados na seção de rock clássico das lojas de música.

As situações narrativas se casam perfeitamente com os pontos fortes das duas atrizes principais. Geoffrey Rush está simplesmente hilário.