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Governo quer tabelar o preço do gás de cozinha

Guarulhos, 25 de julho de 2002

arteO presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou um papel mais ativo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no controle dos preços de combustíveis e do gás de cozinha, e defendeu inclusive uma intervenção em casos extremos. O ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide,informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que recebeu do presidente, uma orientação específica para que seja revisto o papel da ANP em relação ao preço do gás de cozinha (GLP) ao consumidor. Na prática, segundo técnicos do governo, isso significa tabelamento de preços.

O Conselho Nacional de Política Energética deverá publicar em breve uma diretriz dando poder à ANP para regulamentar o preço do GLP para o consumidor.

Divulgada nesta quarta-feira, a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) revela um aumento nas projeções de reajuste desse produto durante o ano. O Banco Central espera um aumento de 42% em 2002, contra a previsão inicial de 28%, feita no mês passado. A ata destaca que já foi verificado um reajuste de 32% no primeiro semestre do ano.

Para o preço da gasolina, o Banco Central não especifica percentuais de novos aumentos. No entanto, na ata, o BC faz uma média de preços de 2001 em comparação com 2002. Como houve um reajuste de combustível no primeiro semestre deste ano – e ano passado foi marcado por sucessivos reajustes -, o BC rebaixou as possibilidades de redução do preço da gasolina para o consumidor. Na ata anterior, essa redução era estimada em 4,5%, e, agora, é de 2%.

Para as tarifas de energia elétrica, o Banco Central projeta um aumento de 19,2% no ano, contra 19,4% previstos em junho. Já para 2003, o BC estima um reajuste dessas tarifas de 14,4%. Esse quadro, segundo a ata do Copom, é reflexo da depreciação cambial e do aumento da meta de inflação para 2003.

– Determinei ao Conselho Nacional de Política Energética que baixasse uma diretriz para que a Agência Nacional de Petróleo tenha um papel mais ativo na regulação do preço dos combustíveis, principalmente no preço do gás. Chegou a hora de a ANP, assim como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) atua nas tarifas de energia, atuar na regularização desses preços de combustíveis. E, se for necessário, que intervenha no preço – afirmou o presidente, após participar da cerimônia, em Anápolis (GO).

Os chamados preços controlados – administrados pelo governo federal – foram os que mais subiram durante os oito anos de mandato do presidente Fernando Henrique, puxando os índices de inflação.

Tarifas públicas – Para as tarifas de energia elétrica, o Banco Central projeta um aumento de 19,2% no ano, contra 19,4% previsto em junho. Já para 2003, o BC estima um reajuste dessas tarifas de 14,4%, contra 12,3% da última previsão.

Esse quadro, segundo a ata do Copom, é reflexo da depreciação cambial e do aumento da meta de inflação para 2003. Para o conjunto das tarifas públicas (telefonia, transporte público, energia, combustíveis, água etc.), a projeção do Banco Central é de um aumento de 8,9% em 2002, contra um reajuste de 8,1% previsto no mês passado. Para 2003, esses preços deverão subir 6,6%. A previsão do Copom em junho era de que essas tarifas públicas subiriam 6,1% no próximo ano. A razão da elevação dessas projeções, de acordo com explicação contida na ata, é a valorização do dólar frente ao Real.