Juros mais que embutidos
As taxas de juros cobradas pelos bancos das indústrias brasileiras, hoje próximas a 45% ao ano, representam em média 10,34% do custo final dos produtos. Essa é a conclusão de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, divulgado nesta quarta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Para o diretor de competitividade da Fiesp, Mario Bernardini, o governo poderia promover a redução dos juros bancários sem necessariamente alterar a Selic, a taxa básica da economia.
– Uma das formas seria a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil reduzirem seus spreads bancários cobrados atualmente. Eles acabariam forçando todo o mercado financeiro a seguir o exemplo e ainda continuariam ganhando dinheiro – disse Bernardini.
Segundo o diretor da Fiesp, o spread bancário (diferença entre a taxa cobrada pelo dinheiro captado e os recursos emprestados) é um dos maiores do mundo. Enquanto nos mercados europeu e americano esse spread varia de 4 a 5 pontos percentuais sobre a taxa básica, no Brasil, afirmou Bernardini, essa diferença ultrapassa 20 pontos percentuais. Atualmente, embora a Selic esteja em 18,5% ao ano, Bernardini disse que as pequenas e médias empresas só conseguem recursos com taxas de 45% ao ano para cima.
– Não estamos pedindo um tabelamento dos spreads bancários. Mas daria para o governo baixar os juros de mercado em pelo menos 10 pontos percentuais apenas estimulando a concorrência, sem mexer na Selic ou colocar em risco o país – disse Bernardini.
Geraldo Magella







